
domingo, 31 de dezembro de 2017
sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
Guerra do amor
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
Embaraço
Não há espaço
mais sublime
que o teu abraço
o perfume adocicado
corroendo
as nervuras
dos meus braços
o traço faceiro
da tua boca
mordendo
palavras dissimuladas
e a fenda do queixo
tomando-me
a vontade
de ficar fechada
nesse embaraço…
Rosa Alentejana Felisbela
28/12/2017
“Couple au baiser” (Beijo do casal), escultura em metal de 2003 do francês Jean-Pierre Augier

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
O pé
segunda-feira, 25 de dezembro de 2017
Recordar o propósito
A estrela de cinco pontas
riscou o céu
num traço firme e seguro
é a história que me contas
passo a passo
num apuro
dizes ter sido filho de Maria
e de José; o propósito:
ser salvador
os reis repletos de cortesia
levaram prendas
e amor
mas algo se perdeu entretanto
não sei se o caminho
ou a luz
a estrela já não tem encanto
a família não se une
o calor não se produz
desconheço a boa vontade
que existe agora
no mundo
ignoram-se crianças e verdade
o Natal demora a chegar
ao sorriso do vagabundo
a guerra ceifa paz às vidas
a religião mata a fé
as casas não são lares
talvez o traço não fosse fundo
talvez a história fosse vaga
ou esteja na altura de a recordares…
Rosa Alentejana Felisbela
25/12/2017
(imagem da net)

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
Amoroso
Preciso do engaste
do teu ombro
para que o sonho
me baste
Imagino a minha mão
sobre o teu peito
em repouso
pedaço de solidão
escondendo no coração
a gema que não ouso
Fantasio as tuas palavras
pepitas-lapidadas
-meu tesouro-
e o hálito caloroso
da tua boca amada
-caleidoscópio precioso-
E o devaneio é lufada
de aconchego na mente
e meu sustento amoroso
quando a escrita dourada
brilha de amor
como cristal caloroso
e silente
Rosa Alentejana Felisbela
21/12/2017
(imagem da net)

Peixes
domingo, 17 de dezembro de 2017
“Non è vero?”
Quando me tiras o véu
parece que nasce agosto
nas rosas das maçãs
do meu rosto
e as velas que trago
nos olhos
acendem ao céu
que venero
como rastilho no restolho
e o bago que tenho na boca
converte-se no vinho
gostoso de sorriso
esse pedaço
de paraíso
tão teu e meu
- “non è vero”?
Rosa Alentejana Felisbela
17/12/2017
segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
Já não te espero
Como o rio de cimento
que corre p’los tijolos
em silêncio
confundo o muro
confundo o tudo
que tivemos
e a metamorfose
é banco, é branco
é ocre que invento
p’ra não transparecer
e vou morrendo
e vou crendo
que um dia
deixo
de ser
fantasia
num qualquer seixo
de rio
a correr…
Rosa Alentejana Felisbela
11/12/2017
(brad spencer brick sculpture)

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017
Vem...
Vem murmurar as palavras doces
que o mel guardou no pensamento
da tua companhia...
Dar-me o beijo que a poesia promete
nas nervuras da madeira...
Entregar-me o abraço
que libertaste na despedida
que um dia virá...
Sou-te banco de jardim
aguardando o pássaro
que fugiu do ninho do meu coração...
Amo-te nas asas da imaginação!
Rosa Alentejana Felisbela
(escultura de Jesus Curiá Pérez)
que o mel guardou no pensamento
da tua companhia...
Dar-me o beijo que a poesia promete
nas nervuras da madeira...
Entregar-me o abraço
que libertaste na despedida
que um dia virá...
Sou-te banco de jardim
aguardando o pássaro
que fugiu do ninho do meu coração...
Amo-te nas asas da imaginação!
Rosa Alentejana Felisbela
(escultura de Jesus Curiá Pérez)

Consciência
Pousar palavras
Queria pousar as palavras sobre a paisagem de inverno, como ave planando sobre as nuvens que o caramelo lambeu por dentro, ou sobre as árvores que o breu assumiu colheita sua, ou sobre os torrões como crânios carecas onde nasceram pequenas cânulas amareladas. Mas não me recordo do cheiro da terra molhada para poder fazê-lo. Perdi as gotas algures entre um fardo pejado de bafo poeirento, ou nas fendas abertas da cortiça ressequida. Pelo ar um vento bravio bordeja as folhas das azinheiras curtidas pela imensidão. E o sabor a cal penetra nas paredes, numa tentativa de cobrir a caliça desabotoada, folha a folha, da casa. Sento-me no poial desgastado de cimento, onde as inscrições do ano em que foi feito esmorecem a cada dia que passa. Ouço a toada dos cães ao longe e julgo, por momentos, escutar o som de passos…Mas não, foi só a garra do tempo arranhando um pouco mais de recordações.
08/12/2017
Rosa Alentejana Felisbela
(imagem de Filomena Janes Semedo)

08/12/2017
Rosa Alentejana Felisbela
(imagem de Filomena Janes Semedo)

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
Tenho saudades
Tenho saudades! Admito que errei muitas vezes, mas também acertei muitas outras. Sei que não sou perfeita. Mas quem o é? Podem passar dias, meses, anos, que nunca me esquecerei. O olhar, a voz, o sorriso, as palavras, as gargalhadas e um mundo de recordações. Às vezes ficam mais "frescas" e alvejam-me a memória, provocando as lágrimas. Às vezes ficam a brincar-me no pensamento e nasce-me o sorriso nos lábios. Grávida de ternura, abraço o abraço e fico assim, apenas sozinha na panaceia que me tolda o coração. Sou humana e quero acreditar.
Rosa Alentejana Felisbela

Valorizar
Valorizar o próximo é, no mínimo, embaraçoso para quem tem um ego do tamanho do mundo! Quantas vezes precisamos de um incentivo para continuar, mas negam-nos o "protagonismo" para não se acharem inferiores? Quantas vezes nos olham de lado por dar a mão a quem tem lágrimas nos olhos? Quantas vezes nos acham "seres estranhos" por dizermos "obrigada pela ajuda"...Quantas vezes percebemos que não somos desejados por perto, mas enquanto "fazemos falta", ali somos mantidos? A questão está em não desistir. Continuar de cabeça erguida e teimosamente de sorriso no rosto. Amanhã será um novo dia, pleno de novas conquistas!
Rosa Alentejana Felisbela

Relojoeiro louco
E a brisa veio
despentear as horas
desgrenhar os minutos
como pente sem dentes
ou com eles gretados
E a brisa
desalinhou os ponteiros
desafinou as roldanas
como números sobrepostos
passando desafinados
E a brisa
desmontou todas as peças
uma a uma,
como relojoeiro louco
comendo o tempo (tão pouco)
de um simples beijo –apaixonado!
Era a corda
do mostrador partida
caindo na rotação
incerta do coração
parando
num último suspiro
destroçado
Rosa Alentejana Felisbela
03/12/2017
(imagem da net)

domingo, 3 de dezembro de 2017
sábado, 2 de dezembro de 2017
Taça de fragas
Beber goles generosos
de sol e mar
em conchas solitárias
de areia
neste varal
onde se suspende
um beijo
é mergulhar no paraíso
de prata
a pique
onde as sombras
das profundezas
brincam ao brilho
-instante eterno-
de vagas
onde te revelas
e vais
a cada momento
e não me sais
do pensamento
nesta taça
feita de fragas
Rosa Alentejana Felisbela
02/12/2017

quarta-feira, 29 de novembro de 2017
Onde?
Ser feliz
Meu amor,
eu tento…
proteger
os olhos de cisne
do vagar triste das águas
voltando as asas
num rumo lento
apagando o piar profundo
do poente
mas tu demoras
e a luz solvente amarra-me
amara-me, entendes?
e à boca do monte acendo
o grito da liberdade
onde me sento
numa busca silente
é vago o vulto
quase quente
daquela hora em que foste
embora presente…
murmuro a privação
e tento
meu amor
ser feliz
novamente
Rosa Alentejana Felisbela
29/11/2017
(imagem da net)

domingo, 26 de novembro de 2017
Aurora nascente
sábado, 25 de novembro de 2017
Da brandura
sexta-feira, 24 de novembro de 2017
vida
quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Atual
quarta-feira, 22 de novembro de 2017
Vazio
Padrão que se repete
verso vírgula
lembrete
- poesia da solidão -
transcende os poros
- falsete -
corrobora a canção
homenagem ao vazio
desaparecido
sem explicação
perpetua-se a palavra
em pedra polida
- mármore -
sobre o chão
abraço que devora
esquecido?
Não.
Rosa Alentejana Felisbela
22/11/2017
(imagem da net)

terça-feira, 21 de novembro de 2017
Piada do dia:
Hoje desloquei-me à Bomba de Gasolina onde habitualmente abasteço o meu carrito e aconteceu algo inusitado. Costumo pagar antecipadamente para não ter que estar com o cuidado de ver se não ultrapassa o montante que quero. Cheguei e apresentei os cartões e descontos que se utilizam nestas situações, e o senhor perguntou-me o que queria. Eu respondi o montante que queria de gasolina. Ele perguntou-me se era da simples ou da especial, e eu disse pretender da especial. Fiz o pagamento e saí. Momentos depois, fui buscar a “pistola” (não sei se é o nome correto rs) e…não funcionava. Voltei a coloca-la no lugar e tirei novamente. Nada. Gesticulei para o senhor e ele gesticulou para mim. Nada entendi. Voltei a tentar e nada. Entretanto, a loja tinha lá uns 4 senhores a pagar que foram saindo e olhavam para mim com um sorrisinho estranho. Comecei a ficar incomodada. O senhor da Bomba veio então cá fora e disse:
Senhor - A senhora está a tirar gasolina!
Eu - Sim!
Senhor – Mas não me pediu gasóleo?
Eu – Não…Recorda-se que até me perguntou se eu queria normal ou especial?
Senhor (aflito) – Ah desculpe! Foi erro meu!
E lá foi mexer “onde deveria” para eu poder abastecer.
Quando terminei estava um bocadinho irritada e um bocadinho divertida. Então os senhores que iam saindo estavam certamente a pensar “coitada, é mulher…nem sabe o que pediu ou não sabe ler”…Nenhum teve a amabilidade de me dizer absolutamente nada!
Acham normal????rsrsrsrs

sábado, 18 de novembro de 2017
Preconceitos
Vamos colocar a questão
De um prisma diferente
Se todos temos coração
Qual é a diferença na gente?
Se num RX o esqueleto
Fica exatamente igual
Quer seja branco ou preto
Qual a diferença afinal?
Se nas análises ao sangue
Vemos que tem a mesma cor
Queres que não me zangue
Quando há distinções com rancor?
Se todos têm progenitora
E um pai dá a sua semente
Porque deixámos outrora
Existir estratos na gente?
Se as lágrimas displicentes
Dos olhos de qualquer pessoa
São todas transparentes
Digam-me qual é má ou boa…
Cada um possui sua raça ou etnia
E ninguém deve ser segregado
Pela sua religião, sexo ou cidadania
Cada um é igual e deve ser civilizado
Mas começa pelo berço
A moldar a mente a teus filhos
Ou podes rezar 20 terços
Que sempre haverá sarilhos…
E lá está o ADN a comprovar
Que somos todos uma família
Igualmente devemos tratar
E não criar qualquer quezília
Rosa Alentejana Felisbela
18/11/2017
(imagem da net)

sexta-feira, 17 de novembro de 2017
Chuva
Encontro-te no lugar
de sempre
é final de dia
e o horizonte irrompe
no seu latejar
de nostalgia
ali está o mar de sementes
cansadas de tanta sede
na sua palidez
desmesurada
atraca novamente
a saudade no porto
que esconde o teu nome
e as amarras
de arame farpado
ferem o barro esgotado
das minhas mãos
vejo cair o crepúsculo
numa folha de outono
e uma papoila morre
sem conhecer o teu rosto
parte novamente uma cegonha
carregada de beijos meus
quem sabe se um dia
chegará ao destino?
quem sabe se as nuvens
se emocionam com o perfume
das minhas lágrimas?
Rosa Alentejana Felisbela
17/11/2017
(imagem da net)

quinta-feira, 16 de novembro de 2017
Altruísmo
quarta-feira, 15 de novembro de 2017
Tempo
Procuras
Julgas conhecer
todo o meu vocabulário
e que já não há palavra
para demover o teu silêncio
mas acredita que cada verso
polido e arbitrário
confere ao meu discurso
a fluência
que têm as lágrimas obscuras
e que a sombra
produzida pelo verbo aceso
é alternativa clara
que sustenta a cal pura
do muro aberto aos dedos
de quem se revê na ternura
e a brisa espalha sílabas
de pedras lisas que se empilham
num equilíbrio de pontes
de palavras futuras
deixo-as cair
sobre a página regularmente
num baile anunciando
a inocência do rodopio
do rio que procuras
Rosa Alentejana Felisbela
15/11/2017
(imagem da net)

segunda-feira, 13 de novembro de 2017
Sós na pluralidade da guerra dos outros
Protejo a bala abraçando a arma porque a tua voz, retornada, me alucina o pensamento. O medo em barda defende-me o peito, atento ao movimento dos dedos destemidos… Choro a lágrima da criança alheia à miséria, debatendo o tom do choro conforme a fome de alimento, ou amor, ou calor. Cerro os dentes como quem guerreia pela posição mais exata de cometer o crime da gula pelo aconchego. Mas a roupa colada ao corpo enregelado já perdeu o rumo na escuridão. Não conhece a cor do chão entranhado até à mácula da alma. Porque nenhum músculo compreende a suavidade de uma cama macia. Nem um único olhar consegue descortinar a raça da pele rasgada. Os pés correm ao movimento dos canaviais cravados até às moléculas infernais do sofrimento. Haverá um arco-íris por trás do monte da noite? Haverá uma voz que diz “anda, aqui ficas segura” no final da linha escrita a fogo e balas com sabor a limão verde e a suco gástrico coberto da neblina fria de fuga? Somos tão sós na pluralidade das guerras dos outros…
Rosa Alentejana Felisbela
13/11/2017
(imagem da net)

domingo, 12 de novembro de 2017
Cozinhar sonhos
sábado, 11 de novembro de 2017
Ponto branco
quinta-feira, 9 de novembro de 2017
O império da saudade
Há um equilíbrio perfeito
nas notas da canção
que a circunstancia suspende
no timbre da voz
essa que perdeste reverbera
essa que perdeste entoa
a solidão
atroz
mais do que um cântico
perpendicular à terra
ressoa na chuva
cadente…
e a saudade
simplesmente impera,
se a sentires nas nervuras
da mão…
Rosa Alentejana Felisbela
09/11/2017
(imagem da net)

quarta-feira, 8 de novembro de 2017
Da fonte à doçura
Há um crescente
de sede fresca
aceso entre os juncos
altar de pedra
de fonte abundante
onde bebo
o teu nome
tento não o secar
de avidez
percorres as duras fissuras
que a terra abunda
em fuga abrupta
e o músculo do desejo
tonto
recebe a ternura verdejante
e pura
e eu beijo a pedra
que venero
fortifico o ventre
floresço
e frutifico o amor
plena de pomos
de doçura
Rosa Alentejana Felisbela
08/11/2017
(imagem da net)

segunda-feira, 6 de novembro de 2017
Nome
Bailam-me abismos
à beira da boca
nuvens de nadas
nidificam-me nos olhos
chávenas de chuvas
num choro louco
leques calando
o calor do colo
e a sorte lançada
é lança que balança
o corpo, a cal da casa
no incómodo caminho da fome
não me cales, não te cales
voa nas asas da alma
chama o meu nome!
05/11/2017
Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

domingo, 5 de novembro de 2017
Os teus poemas
Guardo tudo o que sinto.
As lembranças borboleteando
na almofada perfumada
de eucalipto e alfazema dos teus poemas…
Os cabelos desajeitados
da tarde quente cobrindo-me os olhos
de fonemas, nos teus poemas…
Os corpos amarrotados, sedentos de consoantes,
ajoelhados sobre os lençóis de folhas
mergulhadas em morfemas dos teus poemas…
O chuveiro desarrumando os corpos
inventados de dilemas,
entre o ficar e o partir…dos teus poemas…
A cumplicidade das gargalhadas proscritas
e as escritas exaustas de amor,
como fitas de cinema…nos teus poemas…
A verdadeira mentira da saliva misturada,
por sistema, nos beijos
entre terra e mar das fabulações dos teus poemas…
E aquele abraço e o pedaço
levado para o grafema gravado…nos teus poemas…
Guardo tudo o que sinto e tudo
é tão puro como cada verso calado…do meu poema!
05/11/2017
Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

sábado, 4 de novembro de 2017
Ferida
Limpa-me a ferida
que a farpa desenhou
na minha pele
enxuga-me o sangue
lambe
se necessário for
corrigindo o trajeto
da pressa que a compressa
percorreu
revelando a dor
que o teu hálito
antissético teceu
quero que saibas
que o penso rápido
não cura, mas procura
a fissura para vedar
a forma ímpar
que temos
de nos entender
e amar
Rosa Alentejana Felisbela
03/11/2017
(imagem da net)

Perpetuado
Estudei milimetricamente
a voz do teu corpo
sazonado
como se assim pudesse
achar o perfume
dos nossos peitos sincopados
movidos a certezas lentas
em quartos de lua
que a memória reinventou
e recriou num manso roçar
de lábios, num suave
crepitar dos dedos hábeis
mas não encontrou
o argumento
por dentro dos abraços
que nos descrevesse
como atores ímpares
do filme que nos foi
furtado
e recorri ao rasto
dos fios e linhas que nunca
foram quebrados
e inventei as fitas
coloridas das metáforas
e fiz laços
assim continuaremos
ligados
pelo amor às entrelinhas
num final feliz
que se alinha no poema
eternamente perpetuado
Rosa Alentejana Felisbela
04/11/2017
(imagem da net)

sexta-feira, 3 de novembro de 2017
Até já, meu amor
Pretendo matar o poema
da memória:
disparo vogais, à queima roupa
e pronto, fim
da história
mas a sílaba silente e rouca
fica latejando num frenesim
dentro do peito
e tolda-me a visão
escorre-me pelo leito
da boca, onde bombeia
o coração
de súbito renasce a guerra
acesa pelas letras arrumadas
no gatilho da tua mão
murmurando o meu nome
- Perdão!
E eu, soldado raso do amor
deixo fugir a nudez
a alma pura na palidez
exangue de versos
mas plena de abismos
maiores, de solidão
e sopro para longe a ausência
e abraço-te longamente
no perfume de um cravo
que te coloco na lapela
como se te vestisse de mim
uma vez mais
e tu dizes:
- És um caso sem solução!
E sorrindo atiras-me
um beijo
por trás do portão…
Rosa Alentejana Felisbela
03/11/2017
(imagem da net)

quinta-feira, 2 de novembro de 2017
Renovo
Reitero o caminho
bruxuleante das sombras
fálicas, fendidas
fascinantes
emergentes
contidas nos orgasmos
das sementes
lascivamente
deitadas nas poças
na entrada das casas
correndo p’los regatos
p’los corpos
e p’lo cio dos gatos
por cima do fumo
do usufruto
das lareiras
cismando no ronronar
a gemer sem parar
dos telhados
ao ritmo dos rastos
deixados em cada ventre
a florescer
Rosa Alentejana Felisbela
01/11/2017
(imagem da net)

quarta-feira, 1 de novembro de 2017
Depois das cinzas
segunda-feira, 30 de outubro de 2017
Perfume a maçã madura
sábado, 28 de outubro de 2017
Por ti esta cegueira das palavras
Quantos Cupidos amorosos e setas
gastas nas costas das nossas mãos,
se as palavras ficam cegas
quando me lês e me tocas fundo no coração…
Para quê escrever histórias
ao compasso ultrapassado do tempo
se são as nossas memórias as mais lindas que invento?
Desfio o fio da vida pelas linhas interrompidas
e recolho as afrontas de que me arrependo
como se o espelho tivesse o alento de apagar as despedidas…
Se és digno e meritório e somos simples mortais
desconheço a mudança desta hora
de queda de folhas outonais…
Os ponteiros do relógio devem estar sincronizados
e a contagem decrescente deve iniciar o momento
em que estamos frente a frente, seguindo depois lado a lado!
Rosa Alentejana Felisbela
28/10/2017
(imagem da net)

sexta-feira, 27 de outubro de 2017
Abissal
Sinto o sabor
da verdade
coalhada
e a cal
doce e ardente
indiferente
na amurada
o aroma
da chuva
movendo a pena
mordendo a pele
arrepiada
os dentes
da solidão
presos na pressa
como presa
de animal
e a gula pelos beijos
a sede sem pejos
e a fome infernal
buscando o corpo
amado
numa saudade
abissal
Rosa Alentejana Felisbela
27/10/2017
(imagem da net)

quinta-feira, 26 de outubro de 2017
Rasgarias tu o poema?
Sabes, sonhei em rasgar o poema. Rasgaria em fitas ou faria foles para acender o pavio dos desabafos. Rasgaria, à cautela, todas as letras, vogais vagas e consoantes consoante o burburinho formado, precavendo a resolução final. Só guardava uma palavra, para saborearmos juntos, à beira do beijo largo. E com o som soberbo do afago da lira embriagada à nossa volta. Então, fluiriam palavras bailarinas num “plie” ofegante de cópulas, tudo feito pela procriação de um poema decente aos olhos atentos da dança…Depois? Descansarias nos meus braços, embalado pela letargia da ternura, adormecendo cansado da volúpia do mito que criaria à nossa volta. Voariam os restos ao sabor da brisa dos verbos abertos. Precipitar-se-iam rituais de consolo pela inspiração do momento…Mas no final, rasgarias tu o poema?
Rosa Alentejana Felisbela
26/10/2017
(imagem da net)

quarta-feira, 25 de outubro de 2017
A ti Poesia
Há um clamor
de palavras vazias
em torrente
digito a tinta
sei-a de cor
e o papel chora
vilanias em pedra
em seixos lisos
feitos de esperas
sempre a chegar
como rios rebeldes
abertos
de par em par
e a soma de todas
as letras
são poemas pobres
podres da seca
onde me vou debruçar
retomo a margem
e segredo o segredo
que a ninguém vou revelar:
- amo-te num tom rosado
safado e peculiar
mas a água arruma
o que o rumo toma
e nada altera
Todos choram algum dia
toda a pedra desaparece
todo o rio corre
até chegar à Foz
e desaguar
E as palavras?
São rios, são pedras
são silêncios e vícios
crescendo nas margens
da memória
sem lugar
Rosa Alentejana Felisbela
25/10/2017
(imagem da net)

terça-feira, 24 de outubro de 2017
Será?
domingo, 22 de outubro de 2017
Equilíbrio
Se o egoismo pagasse imposto,
muita gente já teria ido à falência.
O amor é o caminho mais simples. Acham caro?
O melhor é pagar para ver até onde vai a hipocrisia...
Seja qual for o correto,
cá estamos para mais uma semana
de "corda bamba", a tentar o equilíbrio.
Que seja, pelo menos, alegre!
Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

Caminho de terra
Desde o caminho
de terra
bem calcado
subindo ermos
declives
picos sem ar
sobe o calor
por frestas
pequeninas
encontrando fendas
e lugares
desconhecidos
nublados
até que o orvalho
assoma
à mata de odor
maravilhada
e se solta a seta
do arco
repentina
que a prumo
se enterra
na terra molhada
Rosa Alentejana Felisbela
22/10/2017
(imagem da net)

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