quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Halloween





Hoje talvez vá ser um diabinho
Com um vestido bem curto e vermelho
Numa mão levo a malícia e o vinho
Na outra o tridente e um espelho!
Mas também posso ser um anjo
Com um vestido branco de pureza…
Até as asas eu arranjo,
E uma auréola…que beleza!
Ainda posso ser uma vampira
Dessas com dentes caninos, a rigor
Que, com o teu pescoço delira…
E só quer o teu amor!
Até posso ser uma princesa
Com coroa a prender o cabelo
Vou fazer-te uma surpresa
E raptar-te para o meu Castelo!
Acabei de decidir, serei uma Maga
Tecendo magias com doçura
À porta da tua casa…
Se não me deres um doce…
Farei uma travessura!
Não tenhas medo: é Halloween!
E nesta noite vale tudo,
Menos fugires de mim…
É tudo a brincar, miúdo!!!

domingo, 27 de outubro de 2013

Adeus



Quando eu morrer
Amor
escreve-me então
um poema
que me sare a ferida
do valor
que nunca me deste
com pena
mas…
não quero que cuides
do meu coração
já morto
e sem vida
e sem amor,
quero que vistas
a cor
das lágrimas
que nunca me deste
pois,
na transparência
desse dia
verás as palavras
que conheço de cor
refletidas nos teus
olhos
guarida
da inocência
do fogo eterno
em que me
verto
em torpor…
Mas não…
não chores
p’los olhos meus
e sim
p’lo brilho
que tiveram
quando ontem
se detiveram
nas costas
do teu
adeus!


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Morreu-me o sorriso



Morreu-me o sorriso
na rouquidão do grito
içado na palavra
presa ao meu sonho

Estilhaçado em mil cacos
num alastrar contagiante
como epidemia
gritante

Dilacerou-me o âmago do olhar
e desfez-se
em sacos lacrimais
Em sombras
por trás da retina
da neblina

Aniquiladas as amarras
soltaram-se fados
desgarrados
Cantados em tons de escuridão
estridentes até mais não…

Choveram corvos
de asas negras
pardacentas no céu da escuridão
Esvoaçaram em curvas penadas
como almas malvadas
traçando riscos
até quebrarem os bicos
no sangue bombeado pelo coração!

Só.
Pó.
Nada.

Morreu-me o sorriso na boca
silenciosa e abafada.

Rosa Alentejana

(imagem de destemperodaalma.blogspot.com)

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O beijo da estrela

Barco naufragado



Despertaste-me dos medos
Inundaste-me com os teus segredos
Viraste-me do avesso
Sem mostrares a forma do retrocesso

Deste-me a mão
Arrancaste-me do oceano
Saraste-me o coração
Depois…deitaste-me ao abandono

Calculaste o tamanho do tombo
Sem, por um segundo,
Pensares no rombo
No casco do meu barco…e que ia ao fundo

E mais uma vez mergulho em mim
Sinto que é escuro
Não tem fim
E com lábios de sal murmuro…

Se fossem minhas as tuas palavras
Os teus carinhos de braços abertos
As demonstrações das tuas safras
Seria a guardiã dos teus afetos


No fundo de mim guardava
O teu Amor como eterno tesouro
A minha dor, estou certa, acabava
E o meu barco, agora naufragado,
feliz navegava, resguardando o ouro…

A morte da solidão




Quando eu partir
Já não existirá a solidão
Vou levá-la a sorrir
Aprisioná-la ao meu peito
E carregá-la no meu leito
De morte e opressão
Para que ela nunca mais
Possa sequer
Levemente
Outro alguém tocar
Fazer sofrer
Cobardemente
Outro coração
Bandidos assim
Não têm perdão
e TU solidão
Morrerás comigo
E serás eternamente
O meu abrigo
Serás para mim
O meu único amigo
Na escuridão
Pois roubaste-me
Noites de sono
Em completo abandono
Fizeste-me
Sofrer…
Agora dormes
O sono eterno
Acabas no inferno
Que fazes
Transparecer…

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