quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Sorriso fácil


Quando olho
os teus lábios
de sorriso fácil

saboreio o vagar
de quem contempla
sem ousar tocar

a saída suave
a derradeira vertigem
a vontade virgem
a salivar

e um pigarrear devasso
envolve o pequeno
espaço

entre as faces rosadas
ai…e esse sorriso fácil
de encantar!

Rosa Alentejana Felisbela
17/02/2018

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Ontem


Ontem à noite
adormeci contigo
nos sentidos

mordi as amoras
dos teus lábios

ouvi o canto de amor
das silvas da tua voz

enfrentei o encanto da luz
furtiva dos teus flancos

e quando cada lugar
dos corpos era lume
a florir nas pupilas

dilatadas as estrelas
entornaram o seu pó
na relva rasteira
do meu corpo nu

sabes, eu não abdico
do perfume de verão
das nossas metáforas
de carícias

e muito menos das delícias
com sabor a farófias
a mel e a caju

17/02/2018
Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Manso litoral


Chegou a doçura
nua da manhã

às colinas
do teu corpo
iluminadas

e a pele que te cobre
temporã
é cal feita de nuvem
acidulada

as pálpebras
levemente
quebradas

as pestanas
escuras
sobre as maçãs

são folhas de fogo
apaziguadas
refreando a luminosidade
de afãs

teus pulsos são poentes
caídos
na almofada de nenúfar
do teu lago

esse leito lascivo
de verão
tão dolente
como um ninho de afagos

tua boca pregada
num ponto sensual
em botão

lembra-me o íntimo
jardim
do teu hálito

que me fascina
e me tira
a razão
de repente

e retenho por um instante
a respiração

receando acordar teu sono
com o bombear fatal
do meu sangue fervendo

ansiando
arder de fome
pelo teu quente e manso
litoral

Rosa Alentejana Felisbela
18/02/2018
(imagem da net)

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O adro


Havia no adro um rasto
de poeira
benta

nos tijolos desgastados
uma labuta
lenta

os cedros emproados
acenando
do eirado

gritavam uivos sonoros
ao branco
empedrado

e os sinos no campanário
tontos
p’la revoada

vibravam ecos de brancura
pelas paredes
caiadas

apenas as vozes miúdas
quebravam velozes
o sinal

eram só corpos tenros
desconhecendo
da vida o final

Rosa Alentejana Felisbela
16/02/2018
(desconheço o autor da foto - Igreja de Nª Sª da Conceição em Beringel)

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O sal da tua pele


Quando me abraças
lentamente
todo o corpo é momento
de eternidade

e se colho o teu olhar
à ladeira que tem a lonjura
é no poço da tua boca

que recolho a loucura
do eco da bica
fresca de água a borbulhar

e depois… mergulho
na melancolia do vício
que salpica de desejo

a pele de precipício
vibrando de amor
pelo teu mar…ai! O teu mar…

Rosa Alentejana Felisbela
15/02/2018
(imagem da net)

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Por fim


Conheço os passos
da tua voz
quebrando as folhas secas
da tarde alaranjada

e o momento após
o abraço branco
dos teus braços de vontade
orvalhada

sei do frio que escorre agora
por entre os dedos
do instante

mas quero a corrente de ar quente
do teu sorriso
nos meus lábios

e a nossa música a tocar
num looping hábil
de leito lento

para poder beijar
liquidamente
o teu pensamento

e afagar a rouquidão
dos nossos olhos
quando o calor da porta

se fechar por dentro de nós
num sossego brando
de doce chegada

Rosa Alentejana Felisbela
10/02/2018
(imagem da net)

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Ardente


Perco-me na noite breve
no cálice profano
na boca escrava
no toque sedento

Encontro-te na neve
da cama que amo
no lençol de lava
na almofada de vento

No vulcão dos sentidos
de todas as formas
entornados
ficamos rendidos

E sem ar julgamos
ser a imaginação
ardente
por tudo culpada!

Rosa Alentejana Felisbela
08/02/2018
(imagem da net)