Um poema é um corpo
de palavras trazidas pelo sangue
das letras
rumo ao cérebro
num acesso de imaginação
ele espalha-se pelas veias
em sílabas bêbadas
da embriaguez dos sonhos
corroborados
pelas extremidades porosas
das prosas presentes nos dedos
eles tricotam segredos
sobre entrelinhas direitas
e curvas desfeitas
perfeitas
de versos por envolver
nas malhas das mantas
coloridas pelo entardecer
e é nos braços entrelaçados
da fonética e da fonologia,
que o encontro triunfante dos nomes,
nessas horas amantes
perante as margens vinhateiras,
gera a fome, gera a sede das frases
em fases profanas de magia
e o corpo beija os anseios
no bordo do cálice alheio
à boca da sedução…
é desse corpo que
falo
esse corpo
ateu
esse corpo
que é teu
inspiração.
Rosa Alentejana Felisbela
07/12/2015
(imagem da net)

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