Chove no pedaço de chão
a que chamo meu.
Se fosses tu…
Quem dera que fosses o vento
que hoje despenteou os meus cabelos
e amarfanhou as minhas roupas,
revirando-me inteira,
tirando-me o ar
como se um temporal de prazer
ficasse aninhado por dentro de mim!
Mas não foste tu…
Como eu queria que as nuvens escuras
que toldaram o céu
fossem a tua sombra
e me abarcassem o corpo até à alma…
Mas não…não foste tu…
Que bom seria se me chovesses
desfeito em gotículas de carícias…
se te entranhasses na aridez da pele
e me hidratasses os poros
enternecidos por te receberem!
Mas não és tu…
E, por isso, fiquei ali…no meio da rua,
perdida,
a sentir o barro nas entranhas,
frio de nevoeiros
de tempos passados
e presentes ainda…
E o meu presente não foste tu…
E foi então que te pedi:
desfaz-te na borrasca
dos sonhos que sonhamos
e deita-me novamente no leito
do rio…
e que o ciclo recomece
num romance
que é meu
e teu
tão doce
e bravio.
Rosa Alentejana Felisbela
16/09/2015
(imagem da net)

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