
quinta-feira, 30 de março de 2017
quarta-feira, 29 de março de 2017
segunda-feira, 27 de março de 2017
domingo, 26 de março de 2017
diamante
mudou a hora...
Estou a pensar em Chronos, esse implacável senhor do Tempo. Desde a nossa meninice que ele nos assombra. Quando as velhas da rua diziam “já estava no tempo do menino nascer…ainda não?” e lá ficavam as mães preocupadas…Ou, quando as crianças nasciam e não faziam o “que já estava no tempo” (quer fosse andar ou falar, ou outra coisa qualquer), era uma grande dor de cabeça! Depois de crescidos somos atormentados pelo tempo de estudar, tempo de acordar para ir a correr para o autocarro, tempo para os amigos…A seguir vem o “tempo de trabalhar, casar e ter filhos”, e depois o tempo de “envelhecer” e morrer. E se não me apetecer? E se eu quiser fazer do meu tempo algo anacrónico? Às vezes apetecia-me começar do fim, porque assim vivia em sabedoria no início dos tempos e voltava a ser inocente. Essa é a altura mais bonita. Aquela em que não precisamos de tempo para nada, a não ser para sermos felizes e sentirmo-nos amados. Queria muito “ganhar tempo” na lotaria! Queria tanto “aprender tempo” na escola. Quem dera gerir o meu tempo sem tempo… E se a vida fosse como a atual “carta de condução”, ia ficando sem pontos até me ser retirada? Assim já fico novamente a pensar…De facto o que eu não quero é morrer já, e a morte “é o que temos mais certo”. Portanto…vamos lá viver cada dia como se fosse o último e fruir o tempo que nos resta! Por exemplo: ficar perto de quem amamos por mais tempo?! Mais faz quem “quer” do que quem “pode”! (já diz o ditado popular) ;)
Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net - relógio antigo de pedra)

sexta-feira, 24 de março de 2017
quinta-feira, 23 de março de 2017
Igreja da Misericórdia
(A história da igreja é verídica, eu só arranjei as rimas para o programa da http://viseualiveonline.listen2myshow.com/ )
A Igreja da Misericórdia
É bem linda, por sinal
Mas não gerou concórdia
Quanto à função inicial
Para açougue municipal
D. Luís gizou a construção
Mas a beleza tão original
Ditou-lhe outra, pois então
Sabem que açougue era o talho
Para bichinhos esquartejar
A modos qu’ a coisa f’cou d’encalho
Até D. Luís ordenar:
“Esse edifício de pedra mor
Qu’eu mandei edificar
Mal empregado é no labor
De animais aí matar
Vai ser igreja da irmandade
Da Misericórdia local
Que Deus ainda há de
Achar qu’é pecado capital
Usar as arcadas tã manêras
Marcadas p’la verticalidade
P’ra prender as bestas entêras
E apois cortá-las sem caridade…
E as nervuras apoiadas
Nas colunas coríntias
Dã-me nervos sabe-las esfoladas
E podendo gerar angústias
Agora só lá quero o púlpito
Pr’ós sacerdotes falarem
Abençoando o espírito
Dos que lá se assentarem
E esqueçom lá a “loggia”
E as parecenças com Florença
Qu’agora é outra história
Vai ter outro tipo de crença
Que Deus abençoe os animais
O novo, o velho, o frade e o sacristão
E nem berros, nem balidos, nem ais
Nunca mais aqui s’ouvirão!”
Mal sabia o infante real
Que as suas nobres decorações
Iriam pr’ó museu regional
Causar grandes admirações
Mas a igreja lá ficou
Para a eterna posteridade
Cada pedrinha vingou
Terramotos, vendavais e até a idade!
É um emblema de racionalismo
Um exemplo d’ arquitetura
Do renascimento e maneirismo
Que até hoje lindo perdura!
Rosa Alentejana Felisbela
(imagem do Portal de Beja)

entre o sagrado e o profano
Bebo dos teus lábios as palavras
sábias
essas que dizes sem pudor
vertidas das tuas doces lavras
água benta que escorre por amor
Sinto-me sede do teu segredo
abandonada ao teu favor
e que sou tua companheira
a metade da tua laranja
em flor
Da tua costela sou a primeira
a tal doce insubordinação
colhida na tua granja, a maçã
trincada sem perdão
Sinto-me o teu poema profano
a “santa” do teu andor
desfiando pétalas de engano
num orgulho usurpador
nua de verbos me entrego
ao céu paradisíaco da tua boca
oração breve, cálice aberto
troféu escrito em voz rouca…
de amor!
Rosa Alentejana Felisbela

quarta-feira, 22 de março de 2017
fé fria?
Culto mudo
Chão sagrado
Respira-se respeito
Veneração
Altar puro
Imaculado
Murmúrio, promessa
Oração
Lápide fria
Inscrição antiga
Túmulo, escuridão
E o amor? no coração?
Talha dourada
Tilintar de esmola
Salvação
Sacrifício, pão e vida
E uma simples
Confissão
Sinal da cruz
Hóstia, cálice
Comunhão
Fausto embuste?
História? Milagre?
Religião?
Eucaristia, credo
Donativo
Perdão
Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)
Chão sagrado
Respira-se respeito
Veneração
Altar puro
Imaculado
Murmúrio, promessa
Oração
Lápide fria
Inscrição antiga
Túmulo, escuridão
E o amor? no coração?
Talha dourada
Tilintar de esmola
Salvação
Sacrifício, pão e vida
E uma simples
Confissão
Sinal da cruz
Hóstia, cálice
Comunhão
Fausto embuste?
História? Milagre?
Religião?
Eucaristia, credo
Donativo
Perdão
Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

terça-feira, 21 de março de 2017
sobriedade
segunda-feira, 20 de março de 2017
domingo, 19 de março de 2017
sábado, 18 de março de 2017
a vida
Os rostos são fonte
corrente e farta de vida
transformando-se em rios
sob a ponte da própria energia
espraiando-se por margens
solenes e montes tardios
desflorando horizontes
desfolhando troncos
e sorrisos frios
Sob os cabelos as plantas
as pedras presas
esperançosas
e brilhantes
e nas retinas a luz preciosa
do sol
a prudência, a paciência
a criação brotando, constante
e o coração singrando
na cordialidade do abraço
(ou do murro no muro, chorando)
compaixão imperiosa do laço
em capicua de roma…
somos tanto e natural
que cada um forma uma parte
da vida, crucial!
Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

sexta-feira, 17 de março de 2017
Loucuras
De vez em quando assolam-me loucuras, daquelas que deixam marcas, sem eu querer. Daquelas que me deixam a pensar se sou lida, se sou interpretada, ou se vale mesmo a pena estar ou ficar...Nessas alturas escrevo e fica a pairar a interrogação:
Loucuras
Há um desencanto
percorrendo a ladeira inclinada
do desassossego,
e uma lágrima de saudade,
lenta,
inclinando o momento esférico
para o canto do olhar.
E o soluço cândido,
escondido sob o rubor das faces
contraídas,
escala um sorriso triste,
nos lábios inversos
ao curso do minguante da lua
(maré aberta ao chegar
e partir do areal do rosto).
Só o momento ilusório,
criado pela derme algodoada
dos teus dedos,
florescendo ternuras,
consegue corrigir
a rota da corola labiada
dessa curvilínea flor,
onde um jardim confesso
brota
da gravidez rosada das loucuras!
Rosa Alentejana Felisbela
quinta-feira, 16 de março de 2017
emparedadas
Entre nós há um ciclo de palavras
emparedadas
aguardando um quebrar
de cal e reboco
para aparecerem
limpas da poeira do tempo:
para quando uma nova construção?
Celebrar a abóbada aberta
ao céu do amor
é adormecer no regaço do outro
e beber cada constelação
como quem aquece as veias
de mansas felicidades...
Rosa Alentejana Felisbela
https://www.youtube.com/watch?v=NA-lJAEmpWo&list=PL3xcb8_TbTXQuhlBbuhZ6ty-T9n9UhNu5&index=9
No castelo
(Um dos textos feitos para a rádio viseualiveonline lido ontem no programa "O canto alentejano")
A valsa acorda
ao compasso da lira
dedilhada pela magia
da dama loira
e a fogueira da pira
sagrada suspira
pelo toque divino
o chão de madeira
lustrosa, ardilosa
encerada rejubila
com o peso arrastado
dos passos enlaçados
e as damas embalam
o restolhar dos vestidos
compridos, armados
e os espartilhos
cingidos
reforçando a cintura
e o decote
num calor devastador
serenado pelo
leque num gesto
“coquete”
balançam a lisura
no rosto rosado
e risonho
e evocam uma candura
virgem
numa doce vertigem
num desejo
atiçado…
é então que o consorte
alimenta a fogueira
empunhando o archote
e na loucura do momento
envolve a dama da corte
rodopiando, elevando
o vestido
exibindo o galope
trotando a valsa
como alado servidor
triunfante
e perante a plateia
inalando o perfume
do lenço
-compromisso omisso
do sinal de amor-
acalma o tremeluzir
das velas ritmadas pelo coração
da donzela
como se o restante nas pétalas
das rosas das faces
da bela e
formosa dama
-sem pecado original-
se soltassem por fim
numa chegada de primavera
antecipada
num baile quase estival
no salão da cor do marfim
inclinando os lábios
num sorriso frugal…
Rosa Alentejana Felisbela
13/03/2017
A valsa acorda
ao compasso da lira
dedilhada pela magia
da dama loira
e a fogueira da pira
sagrada suspira
pelo toque divino
o chão de madeira
lustrosa, ardilosa
encerada rejubila
com o peso arrastado
dos passos enlaçados
e as damas embalam
o restolhar dos vestidos
compridos, armados
e os espartilhos
cingidos
reforçando a cintura
e o decote
num calor devastador
serenado pelo
leque num gesto
“coquete”
balançam a lisura
no rosto rosado
e risonho
e evocam uma candura
virgem
numa doce vertigem
num desejo
atiçado…
é então que o consorte
alimenta a fogueira
empunhando o archote
e na loucura do momento
envolve a dama da corte
rodopiando, elevando
o vestido
exibindo o galope
trotando a valsa
como alado servidor
triunfante
e perante a plateia
inalando o perfume
do lenço
-compromisso omisso
do sinal de amor-
acalma o tremeluzir
das velas ritmadas pelo coração
da donzela
como se o restante nas pétalas
das rosas das faces
da bela e
formosa dama
-sem pecado original-
se soltassem por fim
numa chegada de primavera
antecipada
num baile quase estival
no salão da cor do marfim
inclinando os lábios
num sorriso frugal…
Rosa Alentejana Felisbela
13/03/2017
quarta-feira, 15 de março de 2017
folha de papel em branco
Penso, porque não me escreves uma carta?
Pode ser uma daquelas ridículas, onde me contes se, quando a noite parte, sentes a minha falta no frio do nevoeiro do inverno, ou na intensidade da canícula…
Quero que me descrevas os sons do mar, partindo e chegando e se de mim te estás a recordar…
Conta-me do riso das gaivotas, soltas, na imensidão da sua liberdade, e diz-me se te lembras do meu sorriso na tua cumplicidade…
Sei das lágrimas das varinas devotas aos homens que foram navegar, mas desconheço se a minha ausência te faz chorar…
Descreve-me o pregão do pinheiral e o barulho da ladainha do vento, entre as pinhas, as fagulhas e a caruma nas manhãs repletas de bruma, onde os meus sonhos teimam em ir acordar…
Narra-me o ruído da madeira quebrada, nos troncos tontos de tanta memória e antiguidade, e diz-me se recordas as mãos da minha idade. Ensina-me o perfume da resina utilizada na pintura da tua alma, que desconheço a cor, mas que tanto me acalma…
Descreve-me qual o peso que tem o vento quente na balança da tua memória, ou se cada prato está já vazio da nossa história…
Mostra-me na caminhada das tuas palavras, se a subida íngreme dos nossos defeitos, e a descida a pique da razão, ainda escutam o repique do sino às aleluias do coração…
Descreve-me as calosidades das decepções e a morosidade das tristezas, mas mima-me as direções, para onde nos levam as certezas?
Funde as palavras envoltas no som doce da tua boca e sacrifica-as ao papel, quem sabe não entenderei se são feitas de fel…ou mel ou de saudade louca?
Escreves-me uma carta?
Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

terça-feira, 14 de março de 2017
ninho de palavras
Prisão ou razão?
Sentidos lavados
pensamentos arrumados
e a verdade nas extremidades
dos dedos e nas palmas das mãos
linhas cruzadas, enrugadas
as vidas e os tempos mudados
mas as mesmas realidades
impostas pelos universos vãos
Traduzo as curvas dos silêncios
e sigo ao ritmo das linhas retas
os tropeços, os desassossegos
e recomeços até às metas
se o que faz doer fosse
rasurado e reescrito no precipício
dos montes das mãos…
jamais desentrelaçávamos os dedos
saltávamos juntos, deixando
os medos
e a sina ficaria lida
numa escrita de constelações
-Nereida e Tritão dos oceanos
da ilusão- em céu perpétuo
sem prisão!
Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

casa habitada
segunda-feira, 13 de março de 2017
domingo, 12 de março de 2017
Despedidas afetuosas
Estou a pensar nas formas que temos para nos despedirmos.
Antigamente havia a formalidade de “um grande abraço”, agora mandamos um “abração” ou até um “xi-coração”. O “com apreço” e a “estima” já viram melhores dias…Geralmente, quando o queremos fazer, mandamos, educadamente, “beijinhos” (ou jhns ou beijocas – que me parecem abreviaturas frias). E fica assim a pessoa a saber que nos vamos embora, mas que deixamos algo “nosso” para se entreter. Há quem goste de acrescentar (como eu) o “olha, gosto muito de ti”! Não porque fica bem, mas porque é realmente o que sinto, e os meus amigos de anos bem sabem que o faço sistematicamente, porque amanhã pode ser tarde e hoje faço questão de o dizer, para não perder a oportunidade. Depois, há quem se despeça com “adoro-te”, que no dicionário significa “prestar culto a…; ter muito amor”. Pois, a amizade também tem destas coisas, há quem seja tão amigo que “idolatre” o outro, pelo bem que lhe faz. Mas também há quem diga “amo-te”. Sim, porque há amor entre amigos, sem outras intenções! No dicionário está escrito que “amar é estar apaixonado”. Pessoalmente, só o digo a quem amo de verdade, a quem não resta a menor dúvida…Mas não resisto a dizer que amo perdidamente o meu gatinho branco – o Bimbo – que é um amor filial e não deixa de ser a minha paixão (sim, os animais também contam!). E agora despeço-me de vós com um xiiiiiiiiiii….coração!
Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

sábado, 11 de março de 2017
sexta-feira, 10 de março de 2017
quinta-feira, 9 de março de 2017
chorada
Roseira rasteira
arrancada, arrancada!
Mãos firmes, de toldar
e urdir
Mãos de expor raízes
destruir
Mãos de roturas
rotineiras
A sorte rendida
chorada
traiçoeira.
Rosa Alentejana Felisbela
09/03/2017
domingo, 5 de março de 2017
métrica
tempestade de palavras
bolhas de sabão
trilho
transitivo
sábado, 4 de março de 2017
fragilidade
sexta-feira, 3 de março de 2017
gestual
quinta-feira, 2 de março de 2017
tempestade
caminhada
quarta-feira, 1 de março de 2017
poema dobrado em bemol
Queria transpor para o poema
a brisa
- o perfume do mar –
o cheiro da alfazema
e o vicejar
das margaridas
o ronco das paredes partidas
o grito dos telhados
em ruinas
o aperto das redes
e os sussurros dos tapetes
das colinas
o relincho do cavalo
liberto
bem perto da foz da ribeira
a experiência, o embalo
do abraço amado
-devaneio, tonteira -
a ternura do instante, a cadência
- sol girando
devagarinho, qual girassol-
como se cada palavra pudesse
imitar o desejo
e a urgência da natureza
ou o lirismo
lascivo do amor
- atalho, vereda, caminho -
e tudo transparecesse na clareira acesa
de um simples verso alexandrino
dobrado em duplo bemol…
01/03/2017
Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

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