quarta-feira, 11 de novembro de 2020

não perdoa

Sopro as palavras da mão Voam agrestes pelo ar Ardem na ferida como limão Gemem esmorecem revivem O coração a sangrar São medidas mesmo ao jeito Do sermão e cabem justas no olhar Quase a rasgar São lágrimas a que não vergas Conheces o som ao cair Sabes-lhe o perfume e o paladar Reconheces o erro ortográfico Mas não as queres rasurar Desafio o lápis que trazes A corrigir o poema A borracha estará pronta Para apagar a trama, sem pena Dó ou piedade… A idade não perdoa! Felisbela Baião

terça-feira, 10 de novembro de 2020

sou e serei

Apanho o resto do rasto Deixado pelo teu feitiço Uma tocha, uma pedra, uma faixa E coloco tudo no lixo Sou a besta bestial que te foi fiel Que te adorou no pedestal A santa impura que atiraste Para a igreja no funeral Sou a caixa de Pandora nunca aberta por fora Mas por dentro destilo o veneno Que me mata devagar Sou a sorte e o azar Mas nunca duvides que te amei Até me lambuzar Guarda o frasco do perfume, mais o lume E podes arder que nunca mais Te irei apagar! Felisbela Baião
Um anjo beijou faces em lágrimas E de joelhos acariciou as costas num abraço de tréguas Seu hálito aqueceu mãos frias dolorosas e aí deixou um ramo de rosas Felisbela Baião 10/11/2020

ao meu lado

Que bandeiras e espadas Que alegrias e ódios Se soltam das tuas asas Quando nem sequer te toco Que vontades e chamas Se alimentam quando Te evoco Que caminhos Que montanhas Se elevam no compromisso No castelo de sonhos Se chegas sem aviso Mas que voo tão sonhado Que engaste mais desejado Quando és o meu abrigo E te trago para o meu lado… Felisbela Baião 08/11/2020

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Lamento...

Lamento as sombras. Lamento as lágrimas. Lamento o tempo perdido. Só não lamento o carinho que dediquei. Porque é ilimitado. Eu sou amor ilimitado, para os que me querem bem. Porém, existe em mim um NÃO tão redondo que nem consigo agarrar. Um CHEGA tão espesso que me é impossível ultrapassar. Dei e recebi. Muitas lições ficaram dentro do coração, outras deixei-as de fora para não me manipularem. Protegi-me como pude. Só não me protegi do amor. Ele vive em mim, sempre. Só não sou capaz de o passar para o papel. Isso dói. Magoa. Apodrece-me as palavras. Elas que são as raízes. E que árvore consegue vingar sem a sua raiz? Uma delas foi-me levada e nunca mais suportei a perda. Hoje a noite está negra… Felisbela Baião

domingo, 25 de outubro de 2020

Este ano

Este ano está marcado de noite contaminado tem fases da lua iguais tem planícies montados estações e hospitais asséticos médicos enfermeiros professores auxiliares desempregados tem pregos nos caixões ladrões de liberdade muita palha e fardos cada vez mais pesados famílias famintas e ideias geniais todas na rede como animais rebanhos vegetarianos obedientes alarmistas mentiras e tiras nas máscaras faciais corações iludidos cabisbaixos e fascistas e comunistas e arraiais cada vez com mais espetadores propagando a propaganda de extremistas mas a felicidade está dentro da casa que sabe ao sabor da vida! Felisbela Baião 25/10/2020

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Trevo

Procuro o trevo atrevo-me a querê-lo porque a paz passeia na ideia de o possuir não se trata de ver com os olhos focados mas de comer a sorte em bocados e sorver o travo para não enlouquecer Felisbela Baião 02/08/2020