segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Sabedoria


Conheces as manhas
que a língua envolve
e o tom correto
de cada fala

Sabes de cor a cor
humana e pintas
o quadro conveniente
com cada pincel

Secundarizas a dor
e eternizas o amor
na mesma linha
que lês a sintonia

Talvez um dia
os passos te coloquem
no mesmo caminho
e o livro se abra
numa página semelhante
e morra a sabedoria…

Rosa Alentejana Felisbela

domingo, 4 de setembro de 2016

Uva


A esperança
convoca o verde

numa folha
o orvalho

nos meus olhos
ver-te

seiva do caule
que preservo

uma orgia
de frutos
em cada galho

Rosa Alentejana Felisbela

Douro

Porto – Passeio de barco no Douro – 03 de agosto de 2016

Namora-me amor o olhar
da beira da tua Alfândega
e dispõe o teu desejar
nas amarras da vontade cândida

Abraça-me a proa emproada
e não te importes de salpicar
o convés da minha amurada
quando me vieres beijar

Enlaça-me com o teu cheiro
a gaivotas e peixe maduro
nas redes do marinheiro
com faces d’um sol já escuro

Encontra-me amor no mar
já que de terra vieste
e sente o gosto de amar
no filho que concebeste

Rosa Alentejana Felisbela

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Porto – Jardins do Palácio de Cristal – 03 de agosto de 2016


Espreito pela porta redonda
mirando as flores frescas
da manhã

E em cada estação antevejo
a delicadeza das mãos
segurando a sorte dos seios
e lábios cor de romã

Sopra a brisa mansa nas folhas.
Galho a galho voam os pássaros
e os cantantes chilreios
guiam-me os passos

A abóbada transborda
de vigor e gratidão
e em cada pedra descalça
revejo a perdição

Murmuram fontes o teu nome
aberto ao miradouro suspenso
e eu naufrago o meu olhar
no teu rio de silêncio

E fecho a porta forjada
de enlaces da hera das horas
e com um brilho nos olhos
das pétalas que perdi
digo às árvores:
- Quem me dera…saber de ti,
agora!

Rosa Alentejana Felisbela

Tempo


Caindo o que sinto
na folha perdida
levada p’lo vento

vai no vento alado
a folha rasgada
meu tempo perdido

Rosa Alentejana Felisbela

Internet


Ligações pousadas nos fios
migram por caminhos
nunca imaginados.

Na imaginação
pousam ligações
que levam fios alados.

Rosa Alentejana Felisbela