quinta-feira, 14 de julho de 2016
sábado, 9 de julho de 2016
Ébria de poesia
Fiquei neste cais vinhateiro
à beira das palavras revoltas
como ondas
em dia de temporal,
e as sílabas de gaivotas (tontas)
gritaram de saudade atónita
no meio do vendaval.
Os meus olhos embateram nas rochas,
como muros construídos à poesia,
e ainda agora a água,
salgada de sal,
me arranha a pele
do nascer ao fim do dia.
Se a coragem destas letras
me emergisse do mar profundo,
não haveria prosa nem verso
que não fosse o farol do mundo!
Sou a deriva da falésia
onde convergem sonhos
de brancos barcos,
a vela solta que entontece
com os nós do quotidiano
em acentos tónicos e laços lassos…
Sinto a humildade das quadras
na humidade da espuma
que me beija a planta dos pés
e as palmas das mãos como nuvens
de sumaúma…
Mas hoje irei soltar o meu melhor voo
desd’este cais transversal ao mar
e vou rasgar as nuvens do palato
num paliativo planar entre palavras afiadas
pelo silêncio e o pensamento abstrato
e por fim…
sussurrando indecências
ao sol cinzento da chuva
saciarei com paciência
a fome de um poema
no brilho casto
de uma uva.
Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)
sexta-feira, 8 de julho de 2016
terça-feira, 5 de julho de 2016
Falha na erupção
Era o tempo das rochas rubras
em ponto de lava incandescente
que ao simples impulso da terra
vertiam o salivar das águas
numa pulsação rara
das caldeiras dormentes
e os montes inexplorados
deitados sobre vastas planícies
desbravavam caminhos
por entre leitos, deleitados
com as margens viçosas
afagando os braços dos rios
e os pássaros aguardavam
a explanação
convicta da adocicada foz
na pequena nascente de verbos
qual peixe rio acima
contrariando a corrente da voz
somente as guelras
respiravam o oxigénio das membranas
e transportavam as sílabas ao sangue
numa viagem em que as escamas
se importavam
com a cor do dia
e as letras, alertadas
pelo mergulho varonil da cinza vulcânica
explodiam águas subterrâneas com sabor a emoção
volátil, como o ar, como o solo,
como um coração extinto agora,
numa falha na erupção.
Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)
domingo, 3 de julho de 2016
Promessas
Raiam promessas nas paredes brancas
e esta incompletude da casa cercada
de tanto crepúsculo, a sede encerrada
qual casulo de palavras vagas, francas
bamboleando a cortina à janela sonhada
num conto intenso pelo vagar das ancas
fechando vontades com todas as trancas
perecíveis num gesto de ternura adiada
e o teto abrindo a claraboia ao luar
de dentro o melhor surgindo por magia
como chaminé erguida para respirar
divisões concertadas em todo e cada dia
num pouco de céu, num cheiro de mar
à benesse da mudança, à doce empatia
Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

sábado, 2 de julho de 2016
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