domingo, 21 de fevereiro de 2016

Flori


"Flori como um baque de céu
em coração de amor imorredouro.
Apenas porque sonhei o teu perfume!"

Rosa Alentejana Felisbela
(foto tirada por mim)

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Envelhecidas


Nos tempos amorfos e amargos das árvores
Antigas, injetando a morfina do ópio sem vida
Regurgitava-se na raiz irrisória, sozinha, contida
Alucinando nuvens de nuances como mármores

Construíam-se moinhos de vento, tão ímpares
Com mãos nuas, calejadas pela dor corroída
Tinham-se espasmos de seiva crua, descolorida
Da audácia e arrojo presente apenas nos lares

Nos muros cobertos de musgo, eternos meliantes
Escondidos em vãos de escadas carcomidas
Espreitavam pelas frestas sem barro, periclitantes

Rendidas às intempéries, de tetos desprovidas
Acreditando no Criador viam-se belezas flamejantes
Quando as marcas denunciavam-nas envelhecidas

Rosa Alentejana Felisbela
(fotos tiradas por mim)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

"Graal"


Seguro em mim a hipótese académica do verbo surpreso pela reivindicação da proveniência do “se”. Julgo mesmo que a sapiência me reservava há muito o gáudio de algo tão injustificado como isso. Desvendei o mar aberto dos teus planos, como se a tua hipotenusa quisesse apenas fazer parte dos meus catetos, enquanto o reconforto da minha cisma fosse um incomensurável “senão”, dada a lei da gravidade. Foi o teu beijo carregado de oxigénio que permitiu que a minha chama crescesse e cicatrizasse feridas antigas. Foram as tuas atitudes de presença constante que me erigiram o mais alto templo no nosso lar. Agora, seguro a maçã entre as mãos, como “santo graal”, não querendo que apodreça face ao manancial de lagartas sequiosas pela tua polpa. Inspiro e mergulho na profundidade das águas límpidas dos teus olhos, enquanto abro os meus à magia da margem que sempre me espera. Talvez a fotossíntese me ajude a restituir-te ao pomar onde quero recompor-te cada folha, cada nervura, cada raiz fasciculada, para renasceres em flor. Pode ser que o casulo embrenhado no teu abraço não se reconstitua mariposa e a morte não seja um fim, mas um princípio de um ciclo infinito, adocicado. Ah! Como te amo no “continuum” paralelo ao renascer dos dias, onde os “bons-dias” se erguem embrulhados no calor da tua voz quente, sapiente e apaziguadora. Por fim, largo a hipótese académica na certeza de que me curas de qualquer dor, meu sonho suave e sedutor, meu companheiro de uma vida cheia de amor!

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Sina branca e digna


Sou ovelha, e o meu maior receio é o lobo
Enredando, ainda que com pele de cordeiro,
Outros tristes mamíferos em grande “afobo”
Pois esse é demasiado incorreto e corriqueiro

Espalho estrume pelos campos e assim os fertilizo
Contribuo para matar a fome ou quem sabe a sede
Mas para isso nunca, em alguma situação, utilizo
Qualquer tipo de armadilha, corda, arame ou rede

Sou ovelha branca daquele rebanho acostumado
Às regras do seu sonolento e pachorrento “moiral”
Que grita e cospe ao vento a sua tristeza, o seu mal
E conta às águas da barragem o seu doloroso fado

Deito-me à sombra do único chaparro do descampado
Onde só cresce a parca erva verde, saborosa e fininha
E recebo a graça de medrar aos poucos, tão sozinha
Como cada um dos torrões de barro infértil e acastanhado

O cão-pastor é quem me morde, mas quem me guia
Para voltar sã e salva para a casa daquele meu pastor
Revoltado, por querer a minha pele para seu cobertor
E a minha carne para alimento de toda a sua família

A minha cama é de palha quente e, por isso obedeço
Doo o meu leite aproveitado para tantas ocasiões
Aquieto dessa forma, outros famintos e novos corações
Entrego a sina ao amor do cutelo a que me ofereço

Mesmo entre as castanhas, as amarelas, todas elas ovelhas
Sou digna apesar da simplicidade por estar entre as brancas
Dentro de mim sobrevivem vidas verdadeiras, as centelhas
Que me ajudam sem nunca ter vivido em abastanças


Rosa Alentejana Felisbela
(foto tirada por mim)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Inverno frio e gelado


Sempre te soube pastor, e daí não veio nenhum mal, uma vez que a virtude é guardar as ovelhas e afastar qualquer outro animal.
Sempre te soube pastor de grande rebanho, um pouco tresmalhado pois, as ovelhas iam e vinham, nunca sabendo qual o bocado mais saboroso, ao qual tirar um bocado.
Sempre te soube pastor, e embora outros cães empurrassem as ovelhas para aqui e acolá, ficavam alguns cordeirinhos reclamando o quinhão que julgavam ofertado.
Tarde ou cedo, quis o destino, que tu, pastor pobrezinho, deixasses algumas ovelhas negras, mastigar o matagal errado devagarinho…
Foi quando o cão alarve e arruaceiro, cumpriu a justiça para que foi denominado: rosnou, ladrou, mordeu a mão, deixando-te, pastor, destroçado.
Quis a má sorte que uma ovelha, negra negra como sombra do sol, abrisse a boca num largo balido, e parisse ali mesmo um sapo com pelo…em vez de milagre foi um pecado consumado e consumido!
Agora pergunto-te, pobre pastor, não viste que ela tinha procriado?
Estarias distraído por causa das águas e dos peixes, mergulhando, a brincar, na barragem ali ao lado?
Ou teria sido por causa do vento forte, que empurrando os ramos do sobreiro, partiu bocado a bocado?
Ou seriam os torrões amolecidos pela humidade de um terreno já triste e cansado de tão molhado?
Penso que revelaste onde tens passado o tempo…encostado ao cajado, distraído, ausente, sem ligares ao teu gado…
Tem cuidado pastor, com os lobos que são perversos, pois só de ouvirem um chocalho correm e caçam em alcateia organizada!
Mas não culpes os teus vizinhos, pelo mal encontrado, pois só tens tido carinho, pão e vinho assegurado para o caminho tranquilo que devias ter amado.
Ah! Pastor do cajado em punho, que adormeceste acordado, sonhando com o brilho do sol, com o perfume do mar, com poemas encantados…acorda! Veste a samarra, e os ceifões que o inverno ainda agora foi iniciado!
Rosa Alentejana Felisbela
(fotos tiradas por mim na Barragem do Pisão)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Estrelas


"Acendi-te a estrela mais terna no meio de tantas nebulosas...nasceram-te sois nos olhos e nas minhas mãos prosas e rosas" Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

Liberdade


"Dou-te a liberdade. Dás-me o espaço. Se nos encontrarmos bem no centro do céu, eventualmente inventamos um ninho. Amo abraçar as estrelas enquanto te aguardo sobre a lua. Voltas?" Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)