quinta-feira, 8 de junho de 2017

feelings


Sinto as palavras que me doas
como uma constante despedida
e dói-me...Mas quando as renovas
reconstróis-me e sinto-me rendida...
Encantada...

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

terça-feira, 6 de junho de 2017

Promessas


E sigo compreendendo que o manto de ébano da noite
sucede à manta colorida do dia...
E que os meus olhos são pirilampos
em torno da tua silhueta!
Traz-me a poalha do teu sorriso
sussurrando constelações de nenúfares...
Prometo-te a via láctea do céu da minha boca!
Ah...mas não demores,
ou corres o risco de eu adormecer
no algodão doce dos sonhos que me prometeste...

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Noiva da tua vontade


Tenho o sabor das laranjas
nos pomos dos meus lábios
tenho beijos de ti cativos
do teu néctar e ternuras ávidos

tenho o aroma das flores
prisioneiro nos meus cabelos
enternecendo as cores
que guardas nos teus anelos

na brancura do meu vestido
reflete-se a doçura do teu olhar
tão intenso e enternecido
levas-me sempre ao altar

e sinto-me noiva das lisonjas
que as tuas mãos segredam
sempre que tocas as franjas
que o meu decote veneram


Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

sábado, 3 de junho de 2017

Brindemos

Silenciosa


Há um desalinho
enigmático na casa
- abandonada -
sem postigo na porta
e de tinta desgastada

só o batente ruidoso
acorda o demorado segredo
que ali existiu

o fino fio de amor
partiu-se
mesmo no centro
da sala

e gritou na sua voz
voraz
para o telhado oblíquo

- eco que a noite calou -

e as janelas, sem paz,
espreitaram o cheiro
da cal caída
e das escadas
penosas

- fugaz
porto de abrigo -

e a palavra “amor” embalou
um espelho imenso
e espesso de mudez
que olhou fixamente o quarto
onde faíscas efémeras
tomaram, outrora, palavras insanas
como tranquilizante
da insónia

- essa que a cama emana -

e mesmo a sombra
nas ombreiras salitrosas
esqueceu as teias
que as aranhas
- obreiras poderosas -
costuraram ao longo
dessa casa
silenciosa.

Rosa Alentejana Felisbela

(imagem da net)

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Doce cegueira


O teu amor é doce cegueira
e tem um gosto a atrevimento
quando me passa p’lo pensamento
e me torna “A” musa feiticeira

lançando enganos ao vago vento
atiças-me nas veias a fogueira
quero a ti render-me a vida inteira
só tu me entregas nas mãos o alento

és colírio, elixir, fantasia
rima perfeita escrita ao meu jeito
nos meus olhos, ventre e poesia

que me domina a pele e recria
o meu sorriso e as formas do meu leito
numa mansa e feliz ousadia…


Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)