terça-feira, 10 de janeiro de 2017

nevoeiro


Nevoeiro carregando
a madrugada
-emparedada, sem sol-

um tic-tac apressado
abrindo os ponteiros
- demasiado ligeiros-

e a claridade baça acesa
-janela afora-
condensando suspiros

os passos traiçoeiros
pisando
a calçada, passando

o golpe incisivo
na pele desnudada

e o corpo a diluir-se
na aragem empedrada
da rua

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

domingo, 8 de janeiro de 2017

"Bouquets" naturais


Bem sei que a primavera se foi,
que os olhos das nuvens choram,
pois aquela tal partida nos dói,
mas olhai os malmequeres agora:


estão viçosos, de caules verdinhos
e as pétalas branquitas e amarelas
parecem "bouquets" unidos sozinhos
autênticas pinturas, perfeitas aguarelas


tão inocentes nos ficam olhando
de pestanas abertas, sem medo
que nascem até junto ao penedo

para lá das cercas, do olivedo,
e eu encantada digo “credo!
Tanta beleza por dentro vibrando!”


Rosa Alentejana Felisbela
(fotos minhas)

sábado, 7 de janeiro de 2017

Abraço


Na represa dos teus braços
todo um amor
prestes a transbordar...

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem minha)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Da origem do amor


Dos raios solares do teu olhar
nasce o calor acolhedor
da seiva morna nas faces
e as caldeiras acesas das veias
aguardam esse vulcão do ventre
que incendeias num quase… transbordar

Do relâmpago da tua voz
nascem os suspiros de vento
e os nimbos solitários
ponderando as tardes de chuva
benigna e redentora
polvilham o firmamento
de sombras de tarde viúva

Das montanhas dos teus dedos
nasce a ternura de cada fonte, rio e mar,
e quando acaricias cada vale e cada monte
é como se percorresses horizontes
acariciando da terra a fertilidade

O limbo do teu corpo
é nascente das torrentes de orvalho
que o prazer demanda
na barragem das cores urgentes
que a primavera eclode
em éclogas de canções de amar…

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

"Liberato"


Trazes olhos de pantera
- negrume na noite felina-

passo lento, sensual
roçar suave que fascina

sorriso puro, angelical

a voz doce
embriaguez

as mãos são bagos dourados
-ofertas de insensatez-

vertes no cântaro o mosto
do amor
que depões a meus pés…

colhes da solidão a parra

acaricias a gavina

mordes a uva
da mudez…

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

desfloradas


Mergulhei as mãos nas sementes
-proibidas- das letras
do teu nome

e o tímido orvalho humedeceu
as faces da terra
envergonhada

germinaram sonhos em flor

e do ventre

voaram palavras -borboletas-
desfloradas!

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

domingo, 1 de janeiro de 2017

aguardo


Aguardo que me guardes
na tarde entardecida
que o sol beija no horizonte
em despedida

Aguardo que os desejos
voem como balões coloridos
rumo à esperança
para um dia serem cumpridos

Aguardo os sorrisos
proporcionados pela companhia
reconhecida e amada
do “amor próprio”, que m’alumia

Aguardo a alforria da alma
e o segredo que o tempo
companheiro inseparável
reclama!

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)