segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Elegância da alma


A elegância da alma
reside no registo do olhar...
que seja a luz a determinar
a aura do enquadramento
e a virtude o pincel que a traça!

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

sábado, 5 de novembro de 2016

À mercê de Dali


Cobres-te
com o relógio
morno da noite.

Dás corda ao despertador
sonolento
e espetas os ponteiros,
lavados pela solidão,
nos números ocos
que a esperança salva
todas as manhãs.

Bem sei que os sonhos
sabem ao algodão-doce
azulado da maresia,
e que a areia encarnou
no gosto do caramelo…

Ainda que o golfinho
alado
te carregue na sela,
há uma rédea solta
no teu cavalgar.

Enquanto a salmoura
mantém as tuas pestanas
cerradas,
um vento encolerizado
pelos dedos de Morfeu,
troando as unhas
sobre a mesa-de-cabeceira,
acorda-te o instante.

E o sol, obeso de tanto ouro,
irrompe pela fresta contrariada da janela,
vomitando o pó embriagante
das estrelas apagadas…

Por muito pouco,
o quadro não se abre
por trás da imaginação
e tu
não verbalizas o grito
que a ressaca revela
na utopia do sono!

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Lanternas


Quantas lanternas
acesas pela imaginação
faltam
para chegar ao céu
do outono doce
desse olhar?

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

Um segundo de amor


Como se os dedos possuíssem as letras
num ato puro de ternura
entre a sombra do eucalipto, nua
e o cheiro da madeira já gasta
e abandonada do banco
solitário
e ainda assim, a boca saboreasse
o gosto do primeiro beijo
sobre as folhas que a árvore segurou
enquanto durou um segundo de amor!

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Nozes


Guardo no coração a chave
que abandonaste sobre a mesa
junto ao último olhar
esmagado pela derradeira
saudade...

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

Castanhas


Dispo as vestes serenamente
sabendo que a pele
morena e doce
se reveste das rugas
formosas do tempo...

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

Romãs


Procuro os fios dourados
das memórias doces
nas faces das romãs...
cada bago é luzeiro quente
mordendo lentamente
o sabor dos teus lábios!

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)