sábado, 8 de outubro de 2016

Cantiga da chegada


Trouxeste nos olhos o brilho
do nectar amado por Baco
e o meu coração tão fraco
tremendo seguiu o teu trilho

doaste-me um abraço cigano
percorreste-me de lés a lés
depositaste amor a meus pés
no estio peculiar, alentejano

esfumou-se a tristeza do trigo
abriram-se sementes em flor
e num alegre e terno clamor
poetas foram dos versos abrigo

Ah! Cantiga herege embriagada
de palavras vivas e sapientes
torna meus versos hoje silentes
em terra fértil da tua chegada!

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

A última carícia


Queria o voo da poesia
na ponta dos dedos
só para descrever
a última
e puríssima
carícia

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Álcool


Brinde brilhante
olhar toldado
veia periclitante

Palavra soletrada
afiada na língua
ferida do instante

Verdade rasa
em boca doirada
ao fundo do palato

Sabor adocicado
amargura na veia
copo transbordado

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

Tabaco


Presa nos dedos
golfada de fumo
lágrimas nos olhos

Dor silenciosa
no ar negro-lume
prisão lacrimosa

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

Folha


Recorte perfeito
brotando dos ramos
vestidos a verde

na verde nervura
a árvore vestindo
de ternura os ramos

Rosa Alentejana Felisbela

domingo, 2 de outubro de 2016

Frio de outono


Visto-te à revelia do relógio
de bolso
vazio

ainda que as folhas
amarelas amargas
oscilem
de vestígio

e a mágoa
marcada de rodopio
se atenue…

Visto-te e tenho frio.

02/10/2016

Rosa Alentejana Felisbela

secretamente


Há um manifesto lúgubre
inscrito nas folhas
que o outono apodrece

e em cada brisa
soprada pelo fôlego do vento
há um lado de nós
que se esquece

secretamente

Rosa Alentejana Felisbela