quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Porquê mãe?


Mãe? Diz-me porque sinto este mal-estar
Que me arranha as entranhas
De tal sorte que me sinto fraquejar?
De nada servem rezas e receitas estranhas
Pois, o meu pulso pequenino e debilitado
Não tem forças para te acariciar o rosto
E até o som do martelar do sino desenfreado
Aqui na igreja próxima, se torna tosco,
Perto desta vontade louca que tenho de…chorar!
Mãe…diz-me porque estão as imagens
Adormecidas nesse mar de lágrimas
Que vão e veem…como se fossem miragens
De um livro vão…como se não tivesse páginas?
Mãe…sorrio e bebo uma última vez o ar que respiras
Que eu tanto adoro…mas ele caminha a passos largos
Para longe de ti…e eu não sei onde repousas
Os teus olhos…que me enlaçam em ternura…vagos
Neste sono no qual não quero mergulhar!!
Mas a luz do descanso eterno muito me atrai
E eu sinto que não vou demorar
Sorriso breve…dentro do teu olhar que se esvai…
E num remar contra a corrente ficou escuro
Mãe…? E nada mais…
Rosa Alentejana
(imagem da net)

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Manhãs maduras do teu olhar



Sim, são maduras as manhãs de solidão e as suturas que me obrigam a costurar na alma que mordo e arranho pela penumbra da tua ausência…e nessa penitência, sucumbe-me o ar desfeito nos pulmões do desalento, que invade como mar em pedaços a esponja da incerteza, que não cabe mais nos riachos de lágrimas onde me contorço!

Sim, são maduras essas manhãs de nevoeiro cerrado a tule negro que se apodera de mim com o medo forrado a nuvens temporãs…que me cobre com o seu manto e me abraça e abarca o vazio sem luz, sem brilho, mas que me seduz…

Sim, são maduras as manhãs com cheiro a chuva e a terra molhada, que se encerram na janela trancada para o horizonte onde te vejo passar…e pago a promessa de joelhos ensanguentados na fragilidade do chão, carrasco da fonte inversa à escrita do meu pensar!

Ah! Se eu pudesse colher-te as manhãs do olhar suave, poderia morder delicadamente o fruto da chave desse coração…e num gozo eloquente, escrever um poema com o amor da gente, assim…não!

Rosa Alentejana
(imagem da net)

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Bocas


Quando a Lua chega e me deixas entrar
Na constelação dos teus pensamentos
Fagulhas de desejo espalham-se no ar
Deixando um brilho sem constrangimentos

E entornam-se melosas auroras boreais
Nos céus voluptuosos das nossas bocas
E nos corpos a partilha de gemidos e ais
Juntamente c’ o amor exalado dessas trocas

Até esse quarto-crescente do teu belo sorriso
Bordado a quentes e brandas delícias salivantes
Embriaga esse sonho delicado de que preciso

Com essas ternuras que nunca são bastantes…
Como se a tua boca fosse do cálice que agora diviso
O mel viciante de que dependo a todos os instantes!
Rosa Alentejana
(imagem da net)

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Paixão telúrica


Encosto o meu passado à beira da estrada e continuo o meu caminho.
Vejo com os olhos do rosto que as bermas estão pintadas com verdes puros e castanhos inebriantes…e com os olhos da alma, no meu pensamento, vejo o tom rosado do por que o sol entornou nas tuas faces…
E toda eu sou destino em nuvens de odores soberanos, incrustada em instantes do matiz do girassol, porque te venero em cores gritantes quando calas os meus lábios num suave arrebol.
E sou erva macia onde te banhas e te espraias…bravia quando te entranhas e contigo me arrastas!
E sabem-me os olhos ao azul que abraço nestas águas correntes, tal como o sangue me circula em torrentes de vontades ardentes…
E adoro quando desbravas a pureza das ervas em erupção, tal como a tua beleza surge renovada em cada estação. Quanto mais o tempo passa, mais te amo com a alma do coração…
E sei que não há lugar mais doce onde possa pousar estes olhos de menina a sorrir, da mesma forma que tu passas as formas mais perfeitas sujeitas às retinas que por ti sempre estarão a florir…
São estes olhos rendeiros da colheita do pão que abandonas à boca do meu coração. É com eles que vejo esta estrada segredada à beira do meu destino, sem certezas, mas com paixão!
Rosa Alentejana

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Piano de solidão


No mapa do rastreio insensato
desta imensidão
compactuo com o anseio
que devasta a eito
alma e coração.

Perdi-me entre a frase feita
e a estrada de sentido único do teu olhar,
onde a curva direita da tua boca nua,
enfeitada de rubor,
se esconde do abraço da minha lua,
vazia de amor…

São becos sem saída,
onde não nascem flores,
onde os resquícios dos desejos
me deixam comedida,
parca de carinhos,
viciada em vícios escarninhos,
numa existência entristecida de tanta dor…

Inventa-me a estrela guia
para o desassossego
das teclas deste piano moribundo,
e ateia-me o fogo perdido
na monotonia em dó maior
onde escuto o meu mundo…
melodia equivocada
do ruído das lágrimas
sobre o meu suspiro mais profundo.

E toco a brisa corrente
do perfume aprisionado em ti,
folha triste e caduca
que eu nunca senti…
e acordo do sonho
que nunca viste
com o travesseiro morno
de silêncio e aquele frio
vadio e derradeiro,
onde me inspiro
para escrever
o único acorde
que considero verdadeiro: só(l).

Rosa Alentejana
(imagem da net)

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Quem quer saber do amor??

Não me falem naquele Cupido
Com as suas fraldas e as asinhas…
Com ar de santinho, é um bandido,
Que merecia umas “palmadinhas”!

Faz-se de sonso, olhar ternurento,
De flecha em punho e seta “certeira”…
Não acertava sequer num jumento
Se lhe aparecesse diante da “focinheira”!

Não me falem em “amor à primeira vista”!
Que esse nem vê-lo pelos binóculos…
E nos beijos na boca, nem insista…
São pérolas caras, deitadas a porcos!

Não me falem naquele S. Valentim,
Que celebrou “escondido” tantos casamentos…
Aquele Bispo matreiro e “chinfrim”,
Que causou tantos constrangimentos!

Apaixonou-se por uma menina,
Escrevia-lhe cartas e fez milagres…
Quem admite isto…alucina!
Mais uma lenda para acreditares…

Não me venham falar dos cartões
Do Dia dos Namorados, todos melosos
Carregados de perfume e corações…
São doces insossos e até perigosos…

Não me venham com as cartas ridículas,
Cheias de frases mais do que pirosas…
São mentiras gastas, por vezes profícuas,
Que nos contam balelas em forma de rosas!

Não me mostrem os tons de vermelho
Das faces das pequenas, que estou zangada!!
Isso é um truque adolescente, já velho
Para mostrar a pureza das moças “abusadas”!

Quem me dera ser eu o Adamastor,
E com um sopro apenas, poder afastar
Todas as formas falsas do falso amor
E secar as lágrimas de tanto chorar…

Não me venham com tretas de amor bendito
Que, se esse existe, eu quero provar…
Mostrem-me o amor que é correspondido
Esse sim, que venha, que eu deixo-o entrar!

Eu até lhes mostro o lugar preciso
Onde fica escondido o meu coração
E que venha S. Valentim, ou o Cupido
E me provem essa tal “Lei da Atração”!!

Rosa Alentejana
(imagem da net)

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A luz do corpo teu


Enquanto as nuvens se deitam
aos pés do sol moribundo,
venerando a fuligem do dia
que se espraia em apatia,
ergo o olhar um só segundo,
na fé que o amor me deu,
e antecipo o perfume do luar
inscrito a estrelas no rosto teu!

E nessa pele macia e morena
gravada a desejos no tato
da minha boca
sou brisa doida pelo vento
emanado dos teus olhos
quando, sem tempo,
me tocam e deixam louca…

E é no compasso dessa espera,
onde encosto a fronte quente
e febril,
que sinto a distância do espaço
entre o levante do teu mundo
e o meu ensejo pueril…

E se o orvalho se vier instalar
entre as íris deste fogo brando,
meu amor,
não foi porque a noite me veio beijar,
foi um simples deslizar da dor
vinda desta insensatez
que me vai queimando...

E não culpes as noites enluaradas
pelos meus ais mais profundos…
É essa a tua poesia a reverberar
nas telas pintadas pelo traço meu
e onde me deito como pobre
vagabundo
em busca da luz
do corpo teu!
Rosa Alentejana