quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Conforto


És o meu láudano embriagante,
de ti sou dependente…
Desde o simples respirar
das curvas
do teu semblante
até ao luar que calas
na minha boca
sofregamente…

Encantam-me os minutos
em que os teus olhos mimam
a minha face sorridente…
É a meiguice
de estarmos juntos
quando as palavras já nem rimam
só os corpos conversam
lentamente…

Murmuras-me os sonhos
da tua imaginação na pele,
e eu prometo que os recomponho
na minha sede…
Salivo em êxtase no manto dos olhos
que me aconchegas
com beijos ternos
junto ao corpo…

És o meu delírio e a minha calma,
o meu companheiro
e o meu eterno conforto!

Rosa Alentejana
(imagem de mahseno.com )

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Manta de beijos


Há dias em que o sorriso
Provocado pela Alma doce
Me deixa a sonhar num Paraíso
Rendido, como se eu fosse
Uma nuvem de emoção
Presa ao céu do carinho,
Fascinado, no Limbo da imensidão
Da distância percorrida
Entre os sentidos proibidos
De nós dois…

E nesta tarde chuvosa,
Presságio de tristeza dolente,
Afasto as gotas impiedosas
Que escorrem pela janela e, finalmente,
Adormeço no abraço dos teus braços,
Embalada na manta de beijos
Com a qual me envolves em pedaços
De mel, de ternura, de meiguice que não vejo
Mas sinto, no sonho que invento
Por dentro do meu corpo inteiro
E dos quais me sustento
Inventando o teu cheiro!

Rosa Alentejana
(imagem da net)

Fusão


E são parábolas
indecentes
vertidas
nas línguas safadas

em fascínios
em gemidos
semi…luas
dos sentidos

Lusco-fusco
em corpos móveis
e rendidos
no arranhar
no vai e vem
no roçar no embuste

calcanhar
ombro
cintura
em turbilhão
perfume almíscar
olhar ternura
e açafrão

sede molhada
em vulcão
caldeira extravasada
em magma
de perdição!

Rosa Alentejana

(imagem da net)

sábado, 4 de janeiro de 2014

Beijo

Beijo

Vem provar na boca o cheiro
que tem a esteva na pele
que eu escondo
do dia de chuva
e leva um suspiro inteiro
onde a brisa sussurra
o sabor a uva
que aquece e incendeia
o prazer incomum
do desejo devasso
encandeando o teu mundo
em espirais de consolo
derretendo ferro e aço
das tuas presunções
por um beijo somente
brilhante na mente
demente do teu olhar!


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Instante


Procuro o instante que me escorre por entre os dedos, feitos de ampulheta, em carne-viva.
E a sede, sôfrega, sabe-me a alfinetes incrustados no olhar…
Percorre-me em passos lentos, de botas cardadas, o silêncio da saudade…
Só quero a calma, como recado da Alma, entregue pelo carteiro, num tempo de pombos-correio, sem hora para aparecer!
Aguardo e baixo a guarda, despida de uniforme, no sinal intermitente e disforme, como quem chora, pela mão do instante em que quero acordar!

Rosa Alentejana
(imagem de pequenaponta.blogspot.com)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Vinho da vida


Verte o vinho da vida
no cálice lacrimejante do dia
transparente desde que nasce
até ao ocaso dessa magia
Cada gota contém um aroma
que deves saborear incessantemente
devagar, sem alarde…simplesmente

Ficar é brio? Porque não?
Se, por vezes, é duro despertar
e perder as asas e a paixão…
E não tens vontade de olhar
para o espelho embaciado…

Mas aromas existem bem doces
que te elevam o espírito
deixando-te encantado
como se nas nuvens flutuasses!

Todos eles fazem parte
do entrançado de acontecimentos
a que chamamos de arte
da vida que deves beber
sem medo ou constrangimentos

Rosa Alentejana

(imagem da net)

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Do casulo do ano anterior


Solta-se um bando de borboletas da minha boca, de cada vez que os verbos fazem casulo no meu olhar, e são voos de letras inquietas, coloridas, num suave recitar…
Pousam-me nas faces as vogais abertas ao novo ano, com asas multicores, num carinhoso versejar… e nas maçãs largam o pólen entrançado nas vagas ardentes da panóplia de tons das consoantes a pairar…
São meus cabelos os caules viçosos das flores que pretendo partilhar, e os elos entrelaçados com o mundo do amor que a minha boca pretende experimentar!
E sinto o orvalho colado aos ramos, com sabor a erva acabada de cortar, na pontuação de que cubro os parágrafos de cores berrantes!
São joaninhas risonhas que me acariciam as mãos num suave despertar, por terem perdido o rumo no ano que acaba de terminar!
Lambo os dedos de mel vertido nos zumbidos das abelhas…rainha me sinto da face romântica da lua…grávida de poemas na voz do alfabeto da sorte que me…apazigua!

Rosa Alentejana
(imagem de « La page du Bonheur & Joie de vivre !.•ƹ̵̡ӝ̵̨̄ʒ » | Facebook)