quarta-feira, 4 de julho de 2018

Procuras?


Procura-me no sol
que te brilha no corpo

nos cílios no cristalino
na retina

por dentro do coração
meu espelho divino

no encaixe da tua mão
meu sobressalto aflito

que a saudade da entrega
meu desejo alucina


Rosa Alentejana Felisbela
04/07/2018
(imagem da net)

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Ritual


Pulso redondo acelerado
à luz da vela
iluminada

Peito nu
de sentido
de seda despudorada

Corpo divino
despido
de vergonha ocultada

Lábios de Harpa rendida
em ritual
dedilhada

Pele de desejo esvaída
com incenso
perfumada

Favo de mel ardente
que acende
o teu pavio

Desconhece o teu intento
que vorazmente
apaga o frio

Por dentro da gruta
a paz
no tormento da escuridão

Poço profundo e capaz
de transbordar
o coração

Sombra bravia e doce
que acalenta
e refrigera

Fonte farta que trouxe
ao teu fruto
a primavera

Flor aberta despetalada
aos carinhos
dos dedos teus

Raiz perdida e encontrada
nesses abraços
ateus

Mulher menina amada
em trono de luxúria
insone

Rosa Alentejana Felisbela
03/07/2018
(imagem da net)

Lobo-do-mar


Aquele Lobo-do-mar
que regressa pelo carreiro
das ondas a marear

lembra o beijo-primeiro
ainda de olhos cintilantes
de sangue fervente e vibrante

abraça a areia abraça o ar
toca de leve a pele

respira a brisa do instante
e coloca a saudade a luzir

nas palavras suspiradas
do poema que o vento traz
a sorrir!

Rosa Alentejana Felisbela
02/07/2018
(imagem da net)

sábado, 30 de junho de 2018

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Príncipe da Lua


Declamo-te a rima mais doce
em quadras serenas

coloco o sabor a maçã e canela
nas sílabas amenas

e misturo as páginas
escritas com hífen
para te fazer sorrir

quando acordares do sono profundo
quero que descubras a dobra
da folha onde te disse “sim”

e que soltes a venda dos olhos
que contes as 100 horas
em reticências

depois, beija-me como príncipe
que a tua Cinderela aguarda-te
em cada letra sem nome…

Rosa Alentejana Felisbela
28/06/2018
(imagem da net)

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Photoshop


Cansados os olhos, raiados
procuram uma marca, um sinal

a prova definitiva
cabal
do valor da batalha infernal

mas a lei aleivosa
impeditiva
levanta uma mão imperial

dizendo num sorriso
lasciva
que não é nossa a razão, afinal

ditadura disfarçada, vivida
camuflada nas bancas
do jornal

mais um marco da história
parida por mais um pecado capital:

ganância de imagem esculpida
na fotografia para Portugal!

Rosa Alentejana Felisbela
27/06/2018

domingo, 24 de junho de 2018

Sou o sonho

Todos os suspiros caídos no silêncio que não vês são para ti, meu amor. Cada passo que dou na estrada empedrada da solidão, vai na tua direção. Cada olhar que se acende na noite escura surge para te anunciar o caminho. Cada sorriso que finjo amara na praia voraz da tua voz. Cada mergulho no infinito do oceano do nosso amor emerge para a brisa suave dos nossos corpos. Conheço de cor os movimentos de cada músculo, o traço vão da sombra e a cor lilás das veias. Mas a sede de cada gesto, a fome de cada trovão, mistura-se com o ar rarefeito da maresia. Sal copiado à imperfeição brota dos olhos perdidos no horizonte. Perdoa-me o som dos passos na areia fina. Perdoo-te o voo de liberdade. Visto as palavras com o vestido mais azul de que te possas recordar. Passo o batom rosa pelos lábios do templo do tempo. Calço as fitas dos filmes que fazemos. Aqui estou a teu lado, no céu cinzento que machuca a retina e transborda sem explicações. O tic tac tic tac do relógio vai ao meu encontro, com o ponteiro em riste, ignorando o perfume que tem o protetor solar, acusando-me de devassidão. Sinto a pele seca do sol que me amanheces, sem sequer me tocar. Tomo um duche demorado à chuva cadente das memórias. Hidrato-me quando te vir novamente no espelho do quarto. A imagem acalma-me a fragilidade, afinal sou mulher. Mas a minha força deve preencher cada razão que sabes acordar. Hoje quero sonhar e sonho. Sou o sonho feito para mim. E nada, e ninguém mo irá roubar.

Rosa Alentejana Felisbela
24/06/2018
(imagem da net)