sábado, 20 de janeiro de 2018
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
Prestes a detonar
Embrenho-me
dama dos meus dramas
na trama dos pensamentos
- castelo das minhas ruínas -
e sinto-me protagonista
de cada instante
- último ato da vida -
escuto a flauta alada
de mão em mão
nos ramos dos cedros
anões
com os ouvidos colados
ao vento - rufia do tambor
que rufa revoltas covardes -
escuto Pan do Demónio
que amua ébrio de vinho
- o esquecimento perfeito
e preferido -
e olho e vejo
a Civilização Canalha
que encaixa a cangalha
dos incêndios florestais
e outros “quetais”
e sinto a luz escondida
p’lo cortinado corrido
em janela de luto
p’la fome e p’los funerais
dispo-me da Impostura
e vomito o raciocínio
macabro, depois abro
o coração à Opinião
Pública
ela que é cega e bruta
abraça-me com a compaixão
do momento
segurando o estalo virtual
Afinal, há um mapa sem estrada
inscrito a bold no meu coração
e chama-se Portugal - meu pai -
a Bomba H
prestes a ser detonada!
Rosa Alentejana Felisbela
18/01/2018
(o Cedro de Lamartine, um tronco de cedro seco esculpido pelo artista plástico Rudy Rahme em 1992 depois da árvore ter sido atingida por um relâmpago)

domingo, 14 de janeiro de 2018
sexta-feira, 12 de janeiro de 2018
Vês?
Encontra-me na trama
do milho, da rama
da rega que alaga
a raiz
e faz-me menina
e ensina-me
a ser feliz
por um momento
por um segundo
sê do amor – o mundo
o abraço fecundo
tão nosso tão poderoso
que todos os sonhos
resumidos, presumidos
se encontram
de uma vez
assim…
vês?
Rosa Alentejana Felisbela
12/01/2018
(imagem da net)
domingo, 7 de janeiro de 2018
Nevoeiro
Porta envelhecida
No solstício do verão
abriu-se a porta
Julgaste a saída
no Tribunal dos Afetos
- culpado -
E no inferno
da espera cortaste o elo
da lembrança
com a tesoura torta
- inspiração entrecortada -
Desabitaste a voz
vestiste o fato do silêncio
e perdeste os passos
nas ruas velozes
Suicidaste a saudade
no precipício das manhãs
Sempre o esperaste
ressuscitado e amoroso
mas a sua imperturbável
morte perseguiu-te…
De longe embarcaste
na barca da insónia
gemendo a dor
que as unhas arranhavam
na pele do peito
O teu amor foi esquina
de mulher perdida
nua de espírito
- coração feroz -
Agora é solstício de inverno
nos gonzos da porta
fechada, envelhecida
p’la escuridão
Rosa Alentejana Felisbela
07/01/2018
(imagem da net)
sábado, 6 de janeiro de 2018
Entendimento
Nos dias cinzentos
uma brisa fria
amordaça
o silêncio
e o sossego da ria
de certo
ameaça
o pensamento
o leve som
- solitário? -
dos passos
as mãos
perfumadas
nos cabelos
são farrapos
de saudades
- um entendimento -
entre as gotas de sal do ar
o sal da pele
e o sal dos olhos
por um momento…
Rosa Alentejana Felisbela
06/01/2018
(imagem da net)

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