quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

O pé


O pé a planta a ponta
dos dedos

a fé que toma de encanto
os pomos

a delicadeza da pele
sem pelos

o cálculo calado
dos sonhos

Rosa Alentejana Felisbela
27/12/2017
(Cicero D' Ávila - red angel)

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Recordar o propósito


A estrela de cinco pontas
riscou o céu
num traço firme e seguro

é a história que me contas
passo a passo
num apuro

dizes ter sido filho de Maria
e de José; o propósito:
ser salvador

os reis repletos de cortesia
levaram prendas
e amor

mas algo se perdeu entretanto
não sei se o caminho
ou a luz

a estrela já não tem encanto
a família não se une
o calor não se produz

desconheço a boa vontade
que existe agora
no mundo

ignoram-se crianças e verdade
o Natal demora a chegar
ao sorriso do vagabundo

a guerra ceifa paz às vidas
a religião mata a fé
as casas não são lares

talvez o traço não fosse fundo
talvez a história fosse vaga
ou esteja na altura de a recordares…

Rosa Alentejana Felisbela
25/12/2017
(imagem da net)

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Amoroso


Preciso do engaste
do teu ombro
para que o sonho
me baste

Imagino a minha mão
sobre o teu peito
em repouso

pedaço de solidão
escondendo no coração
a gema que não ouso

Fantasio as tuas palavras
pepitas-lapidadas
-meu tesouro-

e o hálito caloroso
da tua boca amada
-caleidoscópio precioso-

E o devaneio é lufada
de aconchego na mente
e meu sustento amoroso

quando a escrita dourada
brilha de amor
como cristal caloroso
e silente

Rosa Alentejana Felisbela
21/12/2017
(imagem da net)

Peixes


Somos peixes
brilhantes e raros
nadando à deriva de um sonho

tenho a polidez
tu tens a graça

tantos são os mares
de abandono

amara na margem
o amparo

recolho a tontura
da bonança

presos na rede
que nos separa

morremos da sede
que nos toma


Rosa Alentejana Felisbela
21/12/2017
(imagem da net)

domingo, 17 de dezembro de 2017

“Non è vero?”


Quando me tiras o véu
parece que nasce agosto
nas rosas das maçãs
do meu rosto

e as velas que trago
nos olhos
acendem ao céu
que venero
como rastilho no restolho

e o bago que tenho na boca
converte-se no vinho
gostoso de sorriso

esse pedaço
de paraíso
tão teu e meu

- “non è vero”?

Rosa Alentejana Felisbela
17/12/2017

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Já não te espero


Como o rio de cimento
que corre p’los tijolos
em silêncio

confundo o muro
confundo o tudo
que tivemos

e a metamorfose
é banco, é branco
é ocre que invento
p’ra não transparecer

e vou morrendo
e vou crendo

que um dia
deixo
de ser

fantasia

num qualquer seixo
de rio
a correr…

Rosa Alentejana Felisbela
11/12/2017
(brad spencer brick sculpture)

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Vem...

Vem murmurar as palavras doces
que o mel guardou no pensamento
da tua companhia...
Dar-me o beijo que a poesia promete
nas nervuras da madeira...
Entregar-me o abraço
que libertaste na despedida
que um dia virá...
Sou-te banco de jardim
aguardando o pássaro
que fugiu do ninho do meu coração...
Amo-te nas asas da imaginação!

Rosa Alentejana Felisbela
(escultura de Jesus Curiá Pérez)