quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Onde?


Onde está a manta feita
de grossas gotas de chuva?
E o perfume perdido
da terra molhada?
Nas tuas mãos,
meu soalho bendito
que me encanta...
Meu sobreiro maduro
de caule enrugado...

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

Ser feliz


Meu amor,
eu tento…

proteger
os olhos de cisne
do vagar triste das águas

voltando as asas
num rumo lento

apagando o piar profundo
do poente

mas tu demoras

e a luz solvente amarra-me
amara-me, entendes?

e à boca do monte acendo
o grito da liberdade

onde me sento

numa busca silente

é vago o vulto
quase quente

daquela hora em que foste
embora presente…

murmuro a privação
e tento

meu amor
ser feliz
novamente

Rosa Alentejana Felisbela
29/11/2017
(imagem da net)

domingo, 26 de novembro de 2017

Aurora nascente


Sou raio de luz
apagado

entre pedras
numa solidão
de nascente

Acende-me a voz
na paz corrente
do som do teu nome

e faz com que o lume
que reluz no sonho

sintetize
o hálito doce
de um dia
apaixonado

Rosa Alentejana Felisbela
26/11/2017
(imagem da net)

sábado, 25 de novembro de 2017

Da brandura


Não há pudor
no esquecimento

só uma incoerência
taciturna na memória

uma desmesura
na ausência

e uma dor, um pavor
que tortura

e o colo do adiamento
um dia

recebe nos braços
o corpo inerte

da brandura

Rosa Alentejana Felisbela
25/11/2017
(imagem da net)

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

vida


A vida exige de nós
a capacidade de recuperar
após as adversidades
e nunca perder o sorriso
perante a beleza!

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Atual


O homem da sociedade atual
vive amarrado à terra,
mas de cabeça nas nuvens.
Quem o pode criticar?
A "imagem" é a imposição
de ser feliz na rede...
Mas na sua mente,
um mundo inteiro impede-o
de enlouquecer.
São os sonhos
que o levam a sorrir!

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Vazio


Padrão que se repete

verso vírgula
lembrete

- poesia da solidão -

transcende os poros
- falsete -

corrobora a canção

homenagem ao vazio

desaparecido
sem explicação

perpetua-se a palavra
em pedra polida

- mármore -
sobre o chão

abraço que devora
esquecido?

Não.

Rosa Alentejana Felisbela
22/11/2017
(imagem da net)