quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Mágoa


Se a mágoa falar mais alto,
grita o teu silêncio
e aguarda o murmúrio da lágrima.
Depois, antes de dormir,
sonha cada palavra.
Só depois deves falar...

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

O aconchego da terra


Quem me dera banir
o vento das folhas
e definir as cores
que devem abrir

não me conformo
com a queda diligente

sinto o cruzar
do enlace na seiva
morno, evidente

e a raiz que definha
lentamente
é a razão
para a terra aconchegar…

Rosa Alentejana Felisbela
11/10/2017
(imagem da net)

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Na palma da mão


Se o enredo é meu
porque me curvo e cedo?

Ainda é tão cedo
para a calvície das rimas

Ainda é tão cedo
para as letras que alucinas

Há um torvelinho místico
na raiz da fonte do medo

e com ele o fado do degredo
em que o poeta se deita

E não há paz não há hipérbole
capaz de reconfortar a alma

apenas o pedaço de papel
já gasto de tanto mel e fel

na palma da mão…

Rosa Alentejana Felisbela
16/09/2017
(imagem da net)

Mar e mar


Mar
que vens
mar
que vais
mar
que fias
espumas
mar
que levas
mar
que trazes
revoltas
tamanhas
em forma
de dunas
mar
que desatinas
mar
que afagas
mar
que a retina
restringe
ou dilata
mar
de prata
mar
que mata
de saudade
ingrata
mar
que cega
mar
matreiro
mar
de bruma
mar
que amaras
junto ao cais
mar
que afogas
o marinheiro
sem nada
lhe dar
mar
de ondas
uma
a uma
que vem
e que vai…

12/08/2017
Rosa Alentejana Felisbela

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Pedra


Foste vento
foste vaga
foste pedra
violenta
batendo
de cais
em cais
areias
e areais
doces dunas
camas reais
voltando
depois ao mar
vento
de novo
vaga
de novo
pedra
violenta.

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

domingo, 8 de outubro de 2017

Céu ou mar


Murmuro nuvens lentas
e brisas quentes
e cirros

Grito ondas turbulentas
seixos lisos, e limos
frios

Sei o lume vagaroso
que o sol traz
no poente

Sei o estreitar
dos olhos no azulado
horizonte

Mas conheço
a mansa vontade
das mãos do trovador

só não sei se é vaidade
voar ou naufragar
nas tuas mãos, meu amor…

Rosa Alentejana Felisbela
08/10/2017
(imagem da net)

Inexplicável


Toda a arte é um gesto de amor.
Dos dedos ao barro
há a distância
da arte de moldar.
Quando o amor acontece,
o molde irradia doçura
e fica um perfume
inexplicável no ar!

Rosa Alentejana Felisbela
(obra “chamego” de João Borges)