sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Ilusão de letras


Primeiro o enfoque
substantivado na objetiva

e a correnteza das letras
enrolando as palavras
em movimento giratório

voragem cativa
das aves

e um tema alado
aleatório

depois o voo encantado
na poesia

e o choque na nuvem
do fingimento
real num clique

numa imagem
metafórica

numa foto
de um local mágico
ilusório


Rosa Alentejana Felisbela
15/09/2017
(imagem da net)

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

As ondas


As ondas são meninas
Marotas e sabedoras
Tanto enchem salinas
Como apagam as horas

Banham o mais pequenino
E banham também o maior
Sensato, louco ou libertino
A todos com muito amor

Roubam a parte de cima
Dos biquínis das mulheres
E ninguém as recrimina
“só lá vais se quiseres”

Às velhas beijam joanetes
Às novas os fartos seios
Fazem de todos “joguetes”
E não olham a meios

Aos meninos roubam brinquedos
E é vê-los logo a chorar
Porque elas inspiram medos
A quem não sabe nadar…

Rosa Alentejana Felisbela
05/08/2017

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

História frutificada



Percorre o sangue
das veias das árvores e pensa!

Quantos sonhos sonâmbulos
se vivem na sombra das folhas?

Entre a seiva líquida
escorre um número inconfundível
de beijos
e pelo caule sobem os abraços
inumeráveis…

Acaso confundes o verde
com a esperança
do germinar da flor?

Pesa a espera das pétalas
na balança do coração
e equilibra a estrada que a memória
conduz:
pisa as conjeturas e semeia
sentidos no pequeno
pedaço de terra que resta.

Talvez assim subsista o perdão.
Talvez assim frutifique
a história!

Rosa Alentejana Felisbela
26/08/2017
(imagem da net)

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Dúvida


Há uma rota inserida
nos passos que dá a chuva
que calca que lava que aduba
as memórias as decisões
as dúvidas
e num “ping ping” dividida
questiona o vento
moribunda:
“sou poça de alegria relativa
ou mar de tristeza
profunda”?

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Ao fim e ao cabo...


Enquanto costuro
um poema
farfalham-me
sons aos ouvidos

agulha firme
seda serena
caxemira transparente
aos sentidos

um dedal de sonho
que procuro
e uma linha aprimorada
no embaraço

e tudo se reduz
num farrapo
de segredo…

no teu abraço

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

domingo, 10 de setembro de 2017

Resgata-me


Resgata-me a renda
aberta
de par em par
e ombreia a luz que cintila
nas janelas
do teu olhar

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

Fantasia reinventada


Desvenda-me a rima
prostrada na linha
acima da folha

e afaga-a
como quem olha
a mulher amada

surpreende a pontuação
e demarca
a cerca às lágrimas

num sossego reinventado
como quem efabula
as páginas

Rosa Alentejana Felisbela
(carvão s papel de aguarela
Judith, de C Brook Hobbins
2012)