quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Sede que incendeia


Diante deste mar
tão displicente
aguardo aquele
encontro
tão desejado

esperando não ser
delírio do meu sonho
presente
de uma memória
de um simples gesto
de amor deixado

Mas as ondas
vão revolvendo
a minha praia
apagando as marcas
de pegadas na areia

e eu sabendo
que a minha sorte
não se espraia
apenas inspira
este anseio derradeiro

Acordo e mato na maré
esta sede que o mar
me incendeia!

Rosa Alentejana Felisbela
05/08/2017
(imagem da net)

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Aprendendo


Maquinalmente
ouço a data
na voz
que canta o tempo

numa cronologia
vaga
acrescento
o registo do encontro
naquele dia, aberto em flor,
que a laranjeira perfumou

enquanto isso
adormeço no calendário
e acordo no domingo
das tuas mãos

-dia santo- feriado

na recordação do primeiro dia
de escola

e eu tão atenta a tudo
aprendendo a soletrar
a palavra amor!

Rosa Alentejana Felisbela
28/08/2017
(imagem da net)

domingo, 27 de agosto de 2017

Desígnio


Encontro-te num verso
numa rima no pretexto
disperso de um texto
que teima e nos aproxima

encontro-te na voz de um til
sobre o coração
no acento apressado
da mão

encontro-te no paradoxo
na metáfora no oximoro
onde a bondade cruel
se deduz num fascínio

e és sempre tu
o meu desígnio!

27/08/2017
Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Personal idade


Retira a máscara do coma
em que vives
negligente de ideias
e atitudes

Deixa arder o fogo-fátuo
dos sintomas
de felicidade inteligente

e pede que mude:

o sorriso para a face
o calor para o coração
a força para as mãos
a doçura para a pele

até que um glorioso charme
invada a tua personalidade
fazendo emergir o
que existe em ti:

a alegria de viver!

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Alma de Ícaro


a alma está engelhada
de sortes lentas
de alegrias longínquas
e risos insondáveis
contando com nódoas definitivas
e encardida de sonhos violáveis

escolhe a lavagem a seco
-sem lágrimas-
recuperando as intenções
de angariar raios de sol
e transformar o tecido
na seda pura de um arrebol

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Da crueldade do verso


Procuro
o verso perfeito
sonoro
em jeito de rondel
mas sobressai
o punhal
que sangra
o ventre
e me sussurra
na mente:
tu és cruel!

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)