quarta-feira, 26 de abril de 2017

morrer de saudade


Se um dia a saudade me matar
que não seja com flores
mas com sementes de amor
para criarmos ambos
um novo jardim
onde os sabores desabrochem
e novos pomos
nos embelezem de cor!

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

degraus


Amo-te dentro das tábuas
já gastas dos meus degraus...
sobe sem medo,
segue passo a passo.
São meus braços
o corrimão intacto
para as tuas mãos.

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

terça-feira, 25 de abril de 2017

Onde estão os cravos?


Hoje colhi um cravo encarnado
e vesti-me de Liberdade
nesse instante

militante manifestei-me na rua
e vi que estava nua
numa verdade lancinante

ergui o punho qual traço
em céu rendido ao Comandante
mas a voz feita de povo esgotado

não era a mesma amarrada
que outrora se ensaiava
a voz cativa e a voz apoiante

era só eu ,sozinha, que gritava
por um amor amante de agora
e o compromisso combinado
que eu encarava

mais não era que um casamento
de olhar baixo e voz gasta
contrariada, omissa e revoltante

era um País duro
que me enganava
e saía impune, pela Lei falsa
e excruciante

era um jardim
que acarinhava ricas flores e trovas
mas que chacinava pobres cravos
como flores impróprias e farsantes!

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

domingo, 23 de abril de 2017

riso cristalino

É no som do teu riso claro,
de água fresca, que me perco
vezes sem conta.
É esta sede saciada
que acaricia os seixos gastos
dessa fonte que me ilumina a boca.
É a surpresa
que me assombra a saliva
e me refresca a alma.
Sabes?
É esse sabor
que me mantém refém do teu saber.

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

mais um verso


Há uma fuga que empreendo
sempre que tento justificar a morte...
Mas, sedenta de justiça,
atiço o vínculo com a luz!
E procuro mais um verso
dentro do baú das memórias doces,
doces de ilusão!

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

dia a dia


Abriu-se a manhã bem cedo,
como um riso de criança ainda ensonado.
Depois foram os ténis a cobrar os passos
e os escorregas
a gritarem pelas pregas das calças.
Os baloiços voaram bem alto
e gemeram de alegria.
E foi assim o meu dia,
sem tempo para pensar na fome,
mas matando-a
como uma saudade que explode
no peito a cada hora!

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

sábado, 22 de abril de 2017

tanto


Quero-te tanto
como o manto à terra
(que se prolonga ao núcleo do coração)

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)