quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Amar


Sempre te aconcheguei
no ninho feito pelas minhas palavras.

Com a delicadeza das asas
tentei abraçar os teus sonhos
para que nada te faltasse.

Até te deixei voar!

E aguardei a tua volta
no galho-poema mais alto
e forte!

Existirá forma mais bonita de amar?

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

Sonhos belos


Vento que vens brandamente
soprando aromas de nuvens-dilemas

transportas na voz doces brisas
ou carregas tempestades latentes?

Vens com o coração materializado
em chuvas mansas de prosas apenas?

Ou trazes contigo o ego inflamado
de vendavais envoltos em poemas?

Lacrimejam-me os olhos aflitos
emaranham-se os cabelos

e esse inconstante soprar
oprimindo as nuvens em novelos

traz-me à lembrança um fio de vida
e sonhos por sonhar, tão belos…


Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Vento


Oh vento que vens desse Monte!
num inconstante soprar
diz-me se em ti trazes a fonte
de um intenso e imenso jorrar
que destrói a prosa-sementeira,
ou um lençol manso e fértil
de semente pura no interior
pronta para recriar
flores e versos viçosos
de amor?

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

domingo, 18 de dezembro de 2016

Cintilar


Existe um Natal
suspenso
- presente -
nas tuas mãos

Na boca um gosto solar
mimando a palavra
pia - amor -

Aflorando os lábios
na certeza tímida
da viagem inocente
- um sorriso -

Na memória
a véspera do sonho
- Maria e José
sem altar -

Estrela-guia percorrendo
o céu
- astronomia poética - da vida

Presente - nas tuas mãos -
azulando novos enredos
errantes - a cintilar -

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Ortografia de uma paixão


As frases decalcadas
em cada socalco da pele
invadem a raiz madura do desejo

a ortografia atípica sobressai
em desalinho, em plena porfia,
sem qualquer pejo

e uma ínfima parte
corrobora uma esperança que cinzele
reticências de carinho

todas as veredas se tornam
atalhos consonânticos
quando os toques se namoram

evadem-se os dedos
rumo aos trópicos das entrelinhas
e semeiam-se línguas traduzidas p’lo coração!

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Duradouro


Suspiro – quase doce –
na liquidez salivar

desejo cândido que fosse
alimento da língua

palavra que o sabor
amplifica – paladar –

cor que o cacau intensifica

sempre que a boca
murmura lautos versos

sempre que os lábios
sabem a poemas perversos

– degustação lenta –
duradouro beijar!

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

dezembro


Cores que dezembro traçou
na memória doce do tempo


pitada de criança
festeira
chave de mudança


e uma dose de loucura
numa terna dança


onde a graça insinua
e a sorte dá


um beijo, um abraço
e o calor da lareira


Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)