segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Vertigem poética


E o vento volteia
a folha escrita
de rosa
bordada

e o vórtice
no centro
sem escolha

redemoinho
na enxurrada
de vento

a poça negra
parada

cúmplice
da despedida

perdida

levada

espiral lapidada
na vertigem
poética

gota de chuva
chegada.

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

domingo, 20 de novembro de 2016

Perfume a liberdade


Nós no nosso ninho
de ternura engelhados

à janela o passarinho
caído
e amedrontado

nossos olhos
nossas mãos
à janela
enclausurados

nossos pés
nas lajes descalços

e a liberdade
ali tão perto

e o laranjal
perfumado…

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

sábado, 19 de novembro de 2016

Altercação


A natureza agreste
da palavra movida
pelos lábios
amedrontados
circula redonda
perante a escarpa
aberta da boca

na queda livre
do livre arbítrio
encontra o redemoinho
crispado
do discurso magoado
e afunda-se na fatalidade
das lágrimas

quando volta a emergir
é sopro domado
e suave
planando desde o palato
em voo sereno
na direção
que o leme corrige
a coberto
da primeira emoção

mas se o fundo da maré
mareia as letras
uma a uma
não há sílaba silenciosa
apenas cascata ruidosa
de insensatez
crescente…

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Abraço de memórias


Há um abraço enevoado de memórias
que nos coloca à beira da escarpa do poema:
verso místico planando
sobre o mar da saudade.

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Luar de quimera


Caminho de luz
em sortilégio de pedra
emparedando a vida
num luar de quimera...

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

Ópio de amor


Espalha-se o ópio sobre a pele
e num misto de redenção e dor
solta-se o suspiro... de amor!

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Sombras e luz


Meço minuciosamente
a métrica do dia
com o rigor agudo
da impaciência
e magoa-me a arritmia
cometida pela fala

desligou-se o ruído
da ressalva soletrada
em cada vocábulo
milimetricamente
exigente
e o surto psicótico
atingiu os versos
num eco redondo
do coração

e só a noite acontecia
na exata proporção
de sombras e luz

tudo o mais
eram curvas e ombros
na cãibra vã das entrelinhas

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)