segunda-feira, 7 de março de 2016

Música


"Quando a música te inspira
há um verso que flutua
sobre a pauta do meu olhar
e um suspiro aflora-me a boca
na melodia do nosso amor"

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

domingo, 6 de março de 2016

Terra

Terra

Eu sou o caminho aberto
pela enxada
de cada lembrança.


Enquanto emerjo flor selvagem,
à tua imagem e a ti semelhante,
surgem ervas daninhas
alimentando-se de cada pétala
numa voragem
impiedosa e repugnante...


Se não fosses sol e mel,
meu calor e alimento
jamais seria fruto certo
no verão que sempre invento!


E em cada caule que cresce
da seiva mágica do teu manto
escrevo palavras
no universo
de folhas caladas de espanto...


Pois
volto sempre à terra
num ciclo feito de esperança
caminho aberto pela enxada
abençoado pela lembrança!

Rosa Alentejana Felisbela
(foto minha)

sexta-feira, 4 de março de 2016

Lua


"Cega de lua
inspiro-me no sonho
em palavras de amor
sempre que nasce
um poema"

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

quinta-feira, 3 de março de 2016

Ardilosa


Se conhecesses o som que aqui grita
E que a noite vislumbra sobre o telhado
Não haveria lua, sonho ou conto contado
Que amanhecesse livre na minha escrita

Jamais saberás do segredo guardado
Na obra do mágico manto ou da negra fita
Que brilha nos cabelos da menina bonita
Que encanta Lúcifer com corpo encantado

Porque nele flui uma estrela brilhante ardilosa
Na sombra daquele antigo e enorme casario
Com o perfume ao nevoeiro caído no rio

Porque dorme o silêncio da sombra na rosa
Da calçada que apagou o candeeiro no dia frio
E fez brotar as labaredas no chão escorregadio

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

quarta-feira, 2 de março de 2016

Entre a rosa e o jasmim


Enquanto o sonho penetra as reentrâncias da mente, buscando o poema da música do jardim, concebido entre as sombras das árvores, abre-se o cálice das palavras sagradas ao vento…
Agora sei que voltarei a florir nesse jardim de cores raras, onde a minha semente se abriu à terra, como brinde consumado entre a foz e a nascente na serra.
Sei também que tornarei aos braços da madressilva encarnada, onde jurei ser fruto permitido, embebido na labareda entrançada e quente do hálito da quimera.
Venerei tantas vezes essa seiva perfumada, que em meus poros se acendia, reluzente, que até os pássaros, sobrevoando a jornada, imitavam as pétalas algemadas de beleza e copulavam ao poente!
E era o límpido desabrochar da alfazema em teus olhos matizados a alecrim, que alegrava os meus lábios em forma de margaridas, e que permitia o destilar do tempero descontrolado, derramando o sabor a medronho de cor carmim!
No entanto sei, que ainda voltarei a florir nesse jardim, onde os muros brancos se emaranhavam de hera, escondendo dos olhos puritanos da primavera, o nosso reduto em tom marfim.
Porque sei que as letras são os favos de mel das lavras doces e suaves como o tule pairando, diáfano, sobre a nossa cama verde em esperança, contrastando com a coloração dos corpos nus, envolvidos em lençóis de cetim!
Porque sei que, quando o vento nos rodeava, nesse amparo de quem rouba o fôlego ao festim…levando as sementes, polinizava o ventre das palavras, engravidando-as de ti e de mim.
E porque me nascem os versos, como se a natureza fosse cada momento mágico entre a rosa e o jasmim, e o desejo fosse a pomba voando rumo ao céu…
No fim do meu sonho resto eu, inconsciente, descobrindo-me assim…

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

terça-feira, 1 de março de 2016

Sombras brancas


"Brancas são as sombras
que trazem a saudade
desde a veia à mão
como as pétalas
escritas no centro
da flor que abre no meu
coração"

Rosa Alentejana Felisbela
(imagem da net)

Ovelha


Sou ovelha, de pelo encrespado, mas não sou cabra!
Vê tu, que ainda como erva e até lambo as águas
sossegada. Mas, se esperas que o “dito” se abra
para se soltarem rolando as “redondinhas mágoas”

desconfortáveis, que saem do meu “belo traseiro”,
preciso muito, então, que penses e que saibas
que até elas são precisas e adubam o “atasqueiro”
onde depuseste as tuas sementes e sábias lavras!

São elas mesmas muito mais do que perfumadas
e produtivas que as fantásticas e fabulosas fábulas
que aprisionaste nesse intestino ignóbil e rotineiro

das aves com cérebros tão pequenos como cloacas
que enclausuradas se julgaram talvez enlaçadas,
não fosse esse teu pestilento e forte…cheiro!

Rosa Alentejana Felisbela
(imagens da net)