quarta-feira, 8 de abril de 2015

Pecado


Empilhados sobre o céu em sorrisos,
brilham pomares de loucuras renovadas.

São eles que me alimentam os dedos
plenos de volúpias
e que se acercam dos teus lábios,
paraíso onde as folhas me desnudam
o azul do eclipse solar.

Embriago-me no mel do poema
que tens na voz e
enrosco-me paulatinamente
ao tronco das tuas raízes, como serpente,
coroando-te o peito de beijos impunes,
incólumes, de desejo…

Langorosamente roço os dedos na maçã
e as veias segredam-me
o quão maduro está o teu perfume…

E as folhas lavadas pela lavanda intrínseca ao mundo
sabem o nosso segredo…
suspiro suave,
que nos impele rumo ao pecado do amor.

Rosa Alentejana
08/04/2015
(imagem da net)

domingo, 5 de abril de 2015

Sonhar-te

Sonhar-te as curvas das consoantes
é um pecado capital, mordedura nos lábios,
veneno incorporado no deleite
que considero fatal...mas quero-o
tanto, como ao poema que te ofereço
por seres especial!

Rosa Alentejana

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Axis-mundi


Talvez o mais sublime
da arte de semear
seja o arado que seguras com segurança,
rumo às palavras escritas
a sol na minha boca
de árvore encantada.

E quando me cobres o orvalho uterino
com as folhas da figueira,
enquanto alucino no Paraíso das tuas mãos,
sou eu a paz e a plenitude
da ânsia gravada na tua pele
e emerges camponês-guardião
da minha vontade.

Sou-te o pilar cósmico que te guia
pelas constelações do universo,
o “axis-mundi” da tua paixão, que te regenera,
fertiliza a mente,
cresce à medida da tua fome,
te torna imortal nos versos que proclamas
aos sete ventos
no Sete-Estrelo do meu sorriso!

Mas és tu a seiva que se entranha
nas raízes do meu mundo subterrâneo e vil,
que me acolhe e me assanha,
mas embriaga a sede
e sobe ao âmago da copa do meu corpo
sempre que me beijas.

É aí, onde o firmamento se confunde
com o Olimpo dos meus gemidos,
que me levas ao mundo dos Deuses
e me colocas no Altar,
como deusa-dionisíaca,
portadora do cálice de onde bebes,
e depositas nos meus cabelos
a guirlanda de rainha metafórica
dos instintos impudicos que adoras!

Promoves-me a nudez com pérolas
cor de cetim carmim
para idolatrar
a orgia lenta
dos nossos sentidos,
num Éden só nosso,
onde apenas existem infrutescências
doces e melosas como ambrósias
do nosso querer.

Rosa Alentejana
03/04/2015
(imagem da net)

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Verdade despetalada...


Escrevo-te a vontade branca
nas dobras das pálpebras dos meus olhos
enquanto o calendário muda a estação
no tempo curvo do meu entardecer...

E eu mudo…o silêncio em música
e a janela murmura segredos que nem sei
se estou a escutar, mas vejo a semente
a sobrevoar-me os pés em dança…

Acendo a lanterna dos sonhos
e refletem-se os nossos olhos em gestos revertidos
bocas de mar embatendo na maré de orvalho
na planície da minha única razão…

Mas fica-me o sabor na saliva distante
ardendo em espasmos perante as lágrimas enganosas
vigiando a solidão em doses cândidas
enquanto o veneno rasga a fé do nosso coração alado.

Transforma-se a cama na rima
da vida que se quer métrica e meticulosamente correta
enquanto os raios de luz se esbatem,
miraculosamente, na colcha da refeição que se aprimora.

Tenho o usufruto da praia privada dos meus abraços
mas o sorriso é o meu vestido de linho
bordado a licor de esperança
enquanto a tarde adormece nas asas da minha imaginação!

Agora tenho o ato de amor cravado no céu
estrelado das nossas palavras, relento que resgato
à pele no braseiro inundado por ti
na verdade despetalada da minha inocência.

Rosa Alentejana
02/04/2015
(imagem da net)