quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Sonhas-me?


Meu amor, apenas hoje, peço-te:
Sonha-me

Leva-me aninhada nos teus braços
na escuridão desta noite de lua cheia
e sem compromissos de laços
sente o meu perfume. A que cheira?

À tua ausência o dia inteiro,
ao hálito sofrido da inclemência,
mas que ao mesmo tempo
é tão doce e verdadeiro
como o sabor da minha pele
quando te recebe, inteiro

Deita-me na cama a teu lado
e declama-me poemas de beijos
nos olhos fechados de poentes
tão eternos como os desejos
que sei que sinto…que sei que sentes
neste deserto machucado
a que chamamos de…presente

Brandamente entra-me no vácuo da demora
que teima em soluçar-nos
neste espera tão dolorosa
e pouco a pouco…perde a hora
da noite onde queremos ficar…

Sim, meu amor, esta noite sonha-me
e não me deixes acordar!

Rosa Alentejana
10/09/2014
(imagem da net)

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Sinto-te


Sinto-te em cada gesto de ternura
Cada frase, cada divagar, cada lampejo
Respiro o teu amor e esta loucura
Mas não conheço o sabor do teu beijo…

Sinto-te de cor em cada carícia
Cada palavra de profundo desejo
Em cada sonho de pura delícia
Mas não conheço o sabor do teu beijo…

Sinto-te nas minhas mãos vazias
Em cada lugar meu…ou lugarejo
Em cada prelúdio ou sinfonia…
Mas não conheço o sabor do teu beijo…

Sinto-te no meu coração em segredo
Em cada arfar, em cada arquejo
Martírio deste meu degredo
Por não conhecer o sabor do teu beijo…

Rosa Alentejana
15/04/2012
(imagem da net)

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Amor indomado

Categoria : O céu enamorado

Cobre-se o céu enamorado
Com as estrelas da volúpia
No teu corpo despudorado
Que sem saber me arrepia

Vira-me do avesso e converte
Em certo o que parece errado
Por isso, amor, é tão bom ver-te
E ao teu jeito brando e indomado

Que me acolhe… e enfeitiça
Nesse sorriso de meloso mago
Onde me perco e que me atiça

Num tormento quase delicado
De ternuras, mais do que repleto,
De mel tão docemente encantado!

Rosa Alentejana
in "A essência dos sentidos III"

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Futuro


Tenho um fogo meu amor
Tenho nas mãos as brasas
E o sabor desse teu licor
Nos lábios que me afagas

Tenho lume no meu olhar
Tenho a tua graça no ventre
E o sol no teu despertar
Ao sabor da minha corrente

Tens a lua de que falo
Tens estrelas matutinas
E esse tão doce embalo
Nas palavras traquinas

Tens o verbo saboroso
No ato de amor profundo
E esse teu ar apetitoso
Que é todo o meu mundo

Ambos temos este amor
Guardado como tesouro
E o carinho de um beija-flor
No ninho do nosso futuro

Rosa Alentejana

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Cópia de mim


Guardo as mãos no colo sereno
e já os meus olhos não bastam,
para tornar o mundo deste sótão pequeno
no teu mundo,
pois estas sombras apenas te afastam.

Tenho os caminhos das minhas lágrimas sulcadas
neste rosto cansado,
e nos cabelos já sem brilho,
apenas um travessão
da cor do tempo passado.

Sobre os ombros aconchego o xaile arrendado,
para manter o frio afastado,
das noites da tua ausência.

Por companhia tenho os pensamentos,
que embatem nas paredes da recordação,
e o gatinho malhado
que roça os meus pés
numa espécie de consolação.

E do baú com cheiro a bafio e pó
retiro os poemas que te escrevi,
numa dolência com sabor a dó das letras,
sorvo os suspiros que nunca senti de ti…

Passa-se a hora na demora
dos versos rabiscados no papel
a caneta permanente
como eu guardo para sempre
o meu amor por ti tão fiel.

E no desalento da solidão
vejo neste espelho a cópia de mim,
refletida nas paredes
desbotadas do meu coração
e num beijo soprado, que nunca me deste,
sinto que te despedes
da minha triste ilusão…

Agora já posso morrer
pois, o meu tempo nunca chegou,
peço a Morpheu que me leve
para o infinito sonho alado
de quem nunca voou!

Rosa Alentejana
04/09/2014
(imagem da net)

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O último verso


Se te desse a hipótese de me leres
cada sonho mergulhado nos cabelos
da vida inteira, mesmo os pesadelos
isso alteraria a forma de me veres?

Não, creio que essa não seria a solução
pois, “despenteaste-me os sentimentos”
de uma forma absurda e sinto os gritos
nas veias queimadas de dor p’la emoção

Se te mostrasse a nudez da alma perdida
nas noites e dias no conforto do teu olhar
isso iria provocar uma nova forma de rimar
ou apresentaria uma face desconhecida?

Não, julgo que não, pois despiste-me verbos
e atiraste para longe os véus da consciência
como se não me doesse a tua certa ausência
e fosse fácil para mim encarar esses arroubos

Se te privasse do perfume das palavras redigidas
pela minha mão, isso deixar-te-ia saudades
ou não? Irias querer vencer as dificuldades
ou continuarias com as tuas palavras escondidas?

Não, não sentirias nem um bocadinho
pois, o tempo é algo que não te afeta,
uma vez que as tuas ideias de poeta
continuariam em ti o seu caminho

Mas agora sou essa rima inacabada
que precisa de vogais e consoantes
de um hálito suspirado na pele de antes
para a escrita traduzida da madrugada

um instante frágil, um instinto perverso
no ninho subtil de uma folha amarfanhada
onde a escrita triste, nula e desvairada
seja inflamada até morrer num último verso.

Rosa Alentejana
02/09/2014
(imagem de Paradoxos)

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Renascer


Escuta o som das ondas....
ouve o que dizem elas
no seu gemido constante
quando no desaguar suas preces na areia
que as acolhe
se sentem livres, amadas
num imenso renascer revigorante
como se as suas palavras
fizessem parte de um momento maior
que a entrega nesse instante…

Olha o adormecer do sol…
vê Aquela que se acende no erguer
renascida a cada anoitecer do dia
e reparte do que reflete em luar
rasgos da sua aura sem cobranças,
enquanto os vales e os montes
se esquecem de agradecer
cada toque de magia
vertido nos mares e pontes
em palavras, em lembranças
que cada poeta esconde
no renascer
nas entrelinhas da sua escrita.

Sente a brisa que te bafeja...
afago gracioso como quem deseja
o tatear arrastado, por todo o lado,
o remexer no cabelo despenteado
o fazer sorrir num admitir mais
brisas amenas ou fortes,
alusões ao bom que há de vir
porque a vida é esse vento
alado que nos transporta ao devir
esse abraço descontrolado
de incertezas que nos dá força
para emergir, renascer
sempre
num frente a frente imparável
com o nosso existir!

Rosa Alentejana / Rodrigo Lamar
(imagem da net)