quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Ciente da noite


Quando a noite espalha os seus longos e negros braços
P’la minha vida e todos os lugares que conheço do mundo
Eu olho, mais uma vez, o teu retrato…só mais um segundo
Pois, quero reter todas essas expressões, todos os pedaços

Tudo para que a porta do meu sonho, aquele mais profundo
Fique fechada a sete chaves a todas as mágoas e cansaços
E aberta apenas à tua boca, olhos, sorriso e tão belos traços
Que guardo apenas no meu coração, lá dentro, bem no fundo

Ah Amor! que só nesse sonho bendito escuto o som da tua voz
E sinto tua pele a roçar meus sentidos num doce e quente deleite
Que ali queres (como queres!) derramar na minha melosa foz

E cada gemido, cada sussurro murmurado no meu louco limite
Desaparece, num ápice, nesse instante em que o sonho veloz
Se esfuma na lembrança desse calor tornado frio da noite ciente

Rosa Alentejana
14/08/2014
(imagem da net)

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O teu luar


Meu amor! Faz de mim o teu luar
neste meu céu sereno e sem final
e acalenta a cada toque especial
o sol dos teus beijos a sussurrar

poemas de constelações no sinal
que ostentas através do verbo amar
dessa forma carinhosa que sabes usar
nesse jeito apimentado mas informal

inscrito nos versos a vontade debruados
na ponta da folha de branco e pureza
vertida desses dedos tocando os fados

cantados aos ventos velozes da natureza
quando, a cada suspiro, são revelados
os segredos que te escondo da minha certeza!

Rosa Alentejana
12/08/2014
(imagem da net)

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O nosso amor na escrita


Primeiro desperta-me o brilho
perdido nas janelas da alma, outrora ardentes
e afaga-me o rosto sofrido

Segreda-me,
na orla dos sonhos, versos poetas,
palavras risonhas, palavras envolventes
dessas que tão bem conheço,
das tuas lavras eloquentes

Floresce-me a tez já rendida
e sem receios, enquanto afloras
o favo submisso dos anseios,
pontos de exclamação entumecidos
pela falta do ar, pelo mel, tão aflitos
nesse quase-céu da tua língua,
por ela famintos

Desliza os teus dedos
pela interrogação do meu ser
e na trama dos segredos
mergulha a emoção sem pudor,
na devassa vontade
que gera o turbilhão de amor

Depois faz-me rir, faz-me vir
ao encontro das tuas vogais
em ditongos

Como se a sede da espera
fosse um vulcão de consoantes adiado
explodido e saciado
nesta cama de prosa
onde somos lírio e rosa
no jardim extasiado

Porque somos agora
metáfora
em forma de uma única flor
bendita
e é esta a nossa forma
de fazer amor
na escrita!

Rosa Alentejana
11/08/2014
(imagem da net)

domingo, 10 de agosto de 2014

Tu


Deito os meus pensamentos ao mar
Num derradeiro esforço por te esquecer
Mas as ondas teimam em ir e em voltar
Dizendo que és tu a razão do meu viver

Ondas veem e vão sempre diferentes
Arrastando com elas tantos tormentos
Só esses olhos (ah!) de ouro reluzentes
Mareiam os meus versos tolos e cálidos

E mergulham a minha pele na paixão
A que, sem forças, eu sempre me entrego
E incendeiam este pobre e tonto coração

Num veneno imortal, de prosas quase cego
A que cedo, percebendo demasiado tarde,
Que és tu quem me arde e me tira o sossego!

Rosa Alentejana
09/08/2014
(imagem da net)

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Minha inspiração maior


Escrevo-te com a pena
que vai
da minha mão
aos teus olhos
que, cheia de pretensão,
chora por fazer
acrósticos
e por não teres
a noção…

E conto a métrica
dos versos vagos
numa ética
sem abraços
e no fim
sobra-me a letra
da ausência
dos compassos

Sigo os pontos,
todos finais,
e da história
não sobra nada,
para contar
apenas passos
e versos tantos
como beijos
queria dar
nesta infinita
jornada

Balbucio letras
e sílabas
alucino
com as rimas,
mas fica
a pena
na rotina
da folha branca
inscrita…

São meus olhos
poetas brancos
da pureza
do meu amor
vertendo
incertezas tantas
em palavras -
teu corpo -
minha Inspiração
maior

Rosa Alentejana
08/08/2014

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Adorado


Quando o céu salgado de lágrimas
se une ao horizonte desse mar
vagas de dores, vontades pálidas,
embargam o meu penoso rimar

nesses gritos de gaivotas soltas
nos versos calados e mudos
nesse choro imenso das ondas
onde fantasio os meus mundos

viajo no barco perdido do meu ser
rumo a um porto seguro ancorado
ao teu corpo, meu eterno escrever,

de sílabas e de corais tão decorado,
como tatuagens, que no meu entender,
afagam a tua pele num suspiro adorado!

Rosa Alentejana
07/08/2014

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Naufragando no teu olhar


Esse teu olhar é um doce e melodioso mundo
Que jamais eu verei verdadeiramente revelado
Entranhas do ventre do mar, amor, tão profundo
Como fundo e tenebroso se revela o meu fado

Coral em cores constantemente modificado
Como as correntes da vida onde eu naufrago
Sabor que fica do desejo a vontades bordado
Pleno de dúvidas e de certezas tão vago

Ah! Esse olhar fascina a minha pobre praia
E abraça cada margem, cada lugar, cada recanto
Mesmo a areia do tempo que me escasseia

Até quando escondes de mim o teu encanto
O teu sol, o teu calor que, doido, me incendeia
Quando o que quero é ter-te aqui…tanto…tanto!

Rosa Alentejana
(imagem da net)