segunda-feira, 7 de abril de 2014

Fénix


Acendes-me o brilho
a cada palavra na pele,
na boca, no rosto,
e cintilo no verso
que me impele
rumo ao teu porto
onde me recosto
entregue ao marear
que tanto gosto!

E vibro inteira,
num murmúrio salivante,
mergulhado na cegueira
do desejo extasiante
percorrendo os sentidos trôpegos,
numa paixão errante
a que me entrego e sou presa
e navego a cada instante!

E renasço brisa
em chama lenta
no meio desse mar
que me suaviza
e afasta a tormenta
da distância num vagar
próprio de quem espera
o momento único,
sem pressa,
próprio da quimera
no local idílico
de quem começa
sem receio de terminar…

Rosa Alentejana
(imagem da net)

domingo, 6 de abril de 2014

Rei-mor



Jorram-me palavras da fonte
onde te ergo Rei-mor
do meu amado amor

meu

reino de cor rubi
a montante
de mim...

Desaguo-as na tua boca,
doca do desejo
em capicua,
sorte em margem
do meu corpo
de lua
contornado
pelo teu
prazer…

São enchentes de loucura
pungentes de gemidos
sufocados

de gritos
que não têm cura,
apenas
brandura
no tato
de tanto te entender

Pendem das mãos
inertes, cansadas
e felizes
cascatas de carícias

e acolho as palavras
que dizes

agora
tuas

no caos
do verbo
que recolho e visto
na hora...

Rosa Alentejana
(imagem da net)

Silêncio e ninguém


Deito-me no silêncio
Porque é ele que me mata…

É disso que se trata:
De um mar inquieto
Onde quieta navego
Sem esperança…no vazio
Da espera…

Não quero ficar em terra…
Prefiro o mar salgado
De um futuro adiado
Porque o rumo me desespera
No silêncio que ficou nos bolsos
Vazios

E os Lobos indiferentes
Apenas querem alimentos
Das entranhas das gentes
Adiando a alegria
Essa…perdida no silêncio
Da monotonia
Dia após dia…

Não quero…não quero a terra
Estéril de ilusão sonhada
Seca da doçura de antigamente
Prefiro o mar…

E este silêncio de rejeitar
Por ninguém querer acordar…

Quem? Quem me dá a mão
E devolve a ilusão?
Não ouço nada…
Apenas o silêncio a doer!

Rosa Alentejana
(imagem da net)

Barragem de sentimentos


Tenho o olhar preso na barragem
dos sentimentos,
adormecida no duvidar,
embora desperta como voragem
do desejo que mal consigo ocultar...

É nela que te sonho
e hei de encontrar,
no espaço em que o meu reflexo
se deitará na cama do teu, e eu...
por fim, conseguirei inundar
a tua visão, o teu tato e o teu paladar,
numa torrente
leda, legítima, lúbrica
e lenta...

Ao som da sinfonia
própria da saudade
que aos poucos morrerá
numa sintonia suave
de acordo com o acorde
único
que a ambos nos envolverá
como água repleta de beijos
pelos corpos a escorrer...

Tenho aqui o meu olhar
guardado na inocência de um dia
te explicar
quantos oceanos estão presos
na alegria
de os soltar e em ti
verter...

Rosa Alentejana
(imagem da net)

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Poesia por nascer


Neste dedilhar pleno de malícia caduca,
nos versos ensonados do dia,
liberto as mágoas encarquilhadas
dos vícios
e pouso um beijo na tua nuca
poesia…

Fustigada pela maresia em sonetos
procuro o manto da lua
para me abraçar
em estrelas de quebranto
e render-me à ousadia
onde mergulho
por te querer tanto
e ser apenas…tua!

E sempre me quedo nas reticências
numa dolência constrangida,
marcada a ferros por pontos
numa letra arredia e, por vezes,
foragida…

Sinto-me romance tosco,
por escrever,
entre vírgulas soltas, perdidas,
em frases rabiscadas
de relance
num ato de amor
ainda por nascer!

Rosa Alentejana
(imagem da net)

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O cálice da tentação


Enquanto a chuva cai, subtil
em arrufos desnorteados
com o vento febril,
ampliam-se os lagos
deste nosso (a)mar…

Deixa-me escrever-te nas mãos
os verbos nascentes do meu desejo,
enquanto os lábios
de sofreguidão, dormentes,
tremem sílabas numa vontade
que sinto e vejo…

Marca-me o teu sabor na derme
enquanto o sonho do olhar
se espalha e o sangue ferve
ao ritmo fraco
do suspirar...

Enquanto a tarde se esvai de mansinho
pelos dedos ávidos de tempo,
sinto o sopro do vento
que me segreda baixinho
como é tolo este meu lamento…

Porque é minha a chuva das tuas carícias
e também cada gota da tua atenção,
e são belas as nossas fragrâncias
soltas ao vento, sempre que partilhamos
o cálice da tentação!

Rosa Alentejana
(imagem da net)

terça-feira, 1 de abril de 2014

Amor


São os lençóis feitos
com as folhas brancas
daqueles poemas
que cobrem o meu corpo
nu de palavras,
como sóis alados,
cobrindo candidamente os temas
que dos meus dedos surgem
no tracejado feito
nesse doar sem jeito
com as minhas penas…


Magias encobertas no nevoeiro
de letras minúsculas,
que em burburinho,
murmuram a distância
e aconchegam o carinho,
submerso na dança imberbe
do meu destino!


Sou eu o foco iluminado
na escrivaninha solitária
do anoitecer,
destilando rimas,
num revolver sereno e secreto,
quando a vida é tudo…no nada que eu quero
um dia entender!


Amo-te…e nesse amor te escrevo
e a mim me inscrevo
nesta roleta russa de fervor
do que tenho e é tanto…amor
por dizer,
amor por fazer!

Rosa Alentejana
(imagem da net)