quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O beijo da estrela

Barco naufragado



Despertaste-me dos medos
Inundaste-me com os teus segredos
Viraste-me do avesso
Sem mostrares a forma do retrocesso

Deste-me a mão
Arrancaste-me do oceano
Saraste-me o coração
Depois…deitaste-me ao abandono

Calculaste o tamanho do tombo
Sem, por um segundo,
Pensares no rombo
No casco do meu barco…e que ia ao fundo

E mais uma vez mergulho em mim
Sinto que é escuro
Não tem fim
E com lábios de sal murmuro…

Se fossem minhas as tuas palavras
Os teus carinhos de braços abertos
As demonstrações das tuas safras
Seria a guardiã dos teus afetos


No fundo de mim guardava
O teu Amor como eterno tesouro
A minha dor, estou certa, acabava
E o meu barco, agora naufragado,
feliz navegava, resguardando o ouro…

A morte da solidão




Quando eu partir
Já não existirá a solidão
Vou levá-la a sorrir
Aprisioná-la ao meu peito
E carregá-la no meu leito
De morte e opressão
Para que ela nunca mais
Possa sequer
Levemente
Outro alguém tocar
Fazer sofrer
Cobardemente
Outro coração
Bandidos assim
Não têm perdão
e TU solidão
Morrerás comigo
E serás eternamente
O meu abrigo
Serás para mim
O meu único amigo
Na escuridão
Pois roubaste-me
Noites de sono
Em completo abandono
Fizeste-me
Sofrer…
Agora dormes
O sono eterno
Acabas no inferno
Que fazes
Transparecer…

Carícia

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Sou música...

Dia Mundial da música


Primeiro veio a flauta serena
Em tons suaves e trigueiros
Num solo em pele morena
Causando inveja aos trombeteiros!

Depois veio o clarinete insolente
Com tons falsos e de desafio
Num crescendo insinuante
De notas loucas em desvario!

Veio também o trompete esgazeado
Com tons de jazz multicolor
Como se estivesse embriagado
Pelos sussurros de um novo amor!

E o saxofone todo emproado
Com ganas de se fazer notar
Solta um estridente e desafinado
Som sonoro para os desafiar!

Seguiu-se então a tuba imponente
A piscar o olho ao trombone inquieto
Pedindo para saírem da frente
Para que o som saísse completo!

Mas foi nas curvas da trompa
Sensual, afinada e sonora
Que caíram os elogios em pompa
E circunstância do oboé que a adora!


E depois de tanto engenho
Nesta banda maravilhosa
Tocando todos em uníssono
Tornaram-se na mais poderosa!

Rosa Alentejana Felisbela